A chegada do Chevrolet Spark EUV marca uma nova etapa da estratégia da General Motors para o mercado brasileiro de elétricos. O modelo, que é originalmente o Baojun Yep Plus fabricado em parceria com SAIC e Wuling, foi rebatizado com a gravata dourada para competir com nomes já consolidados como o BYD Dolphin e o GWM Ora 03. O preço inicial de R$ 159.990 foi calculado para provocar impacto imediato, já que ficou praticamente alinhado ao do Dolphin, obrigando a marca chinesa a reagir com cortes de preço.
Apesar de menor do que um Chevrolet Onix, o Spark EUV aposta em proporções típicas de SUV para se diferenciar. Com quatro metros de comprimento, 1,72 metro de altura e 355 litros de porta-malas, o compacto promete versatilidade urbana. A traseira, no entanto, divide opiniões: enquanto alguns veem no desenho quadrado e na tampa lateral uma referência a utilitários tradicionais, outros enxergam um visual exótico e pouco harmonioso em comparação à dianteira moderna.
O interior do Spark EUV se distancia de carros de entrada ao oferecer materiais de qualidade inesperada. O painel, com superfícies macias e revestimentos que imitam couro, combina com bancos em tons claros ou escuros, além de detalhes que simulam aço escovado e fibra de carbono. A central multimídia de 10,1 polegadas traz Android Auto e Apple CarPlay, embora apenas via cabo, enquanto o quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas mantém a proposta minimalista.
Entre os equipamentos, a Chevrolet optou por incluir um pacote robusto. Câmeras 360°, piloto automático adaptativo com assistente de curva, alerta de faixa e frenagem autônoma são oferecidos de série, algo que o Dolphin não entrega. A lista soma ainda ar-condicionado digital, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além de bancos dianteiros com ajustes elétricos, reforçando o argumento de valor agregado.
Na prática, o motor de 101 cv e 18,4 kgfm garante acelerações competentes no uso urbano, mas sem entregar desempenho esportivo. A comparação com o rival mostra números próximos, embora o Dolphin mantenha ligeira vantagem na aceleração e na autonomia. A bateria de 42 kWh do Spark assegura 258 km de alcance no ciclo do Inmetro, contra 291 km do concorrente chinês, além de recarga mais lenta, limitada a 50 kW.
O ajuste da suspensão é um dos pontos destacados em testes iniciais. O Spark EUV transmite maior firmeza ao volante e estabilidade superior em curvas, ainda que isso signifique menos conforto em pisos irregulares. Essa característica se soma à direção com peso mais natural, que evita a sensação artificial relatada no Dolphin. Para um público urbano que busca controle e previsibilidade, o comportamento dinâmico pode ser decisivo.
No entanto, a Chevrolet ainda enfrenta obstáculos estruturais. Enquanto a BYD construiu em pouco tempo uma rede de recarga própria e vendedores especializados em elétricos, a GM depende de concessionárias acostumadas ao motor a combustão e pouco preparadas para orientar clientes sobre potência de carga e autonomia real. Nesse cenário, o Spark EUV surge mais como um passo inicial da marca para ocupar espaço do que como um rival pronto para ameaçar a liderança já conquistada por seus concorrentes chineses.
Fonte: Chevrolet, QuatroRodas e Terra.