A chegada do Chevrolet Spark EUV ao Brasil marca um movimento estratégico da General Motors para enfrentar diretamente o avanço da BYD no segmento de carros elétricos. Produzido em regime SKD na antiga fábrica da Troller, no Ceará, o modelo surge como resposta ao sucesso do BYD Dolphin, hatch chinês que rapidamente se consolidou como um dos elétricos mais vendidos desde sua estreia em 2023.
O posicionamento da Chevrolet é claro: a nacionalização do Spark EUV reduz custos com impostos de importação e fortalece a competitividade diante do rival chinês. Embora custe R$ 10 mil a mais — R$ 159.990 contra R$ 149.990 do Dolphin —, a GM aposta em diferenciais como proposta de SUV, espaço no porta-malas e pacote avançado de segurança para conquistar consumidores.
Em termos de motorização, ambos estão próximos. O Spark conta com bateria de 42 kWh, entregando 101 cv e 18,4 kgfm, enquanto o Dolphin dispõe de 44,9 kWh, 95 cv e 18,3 kgfm. Apesar de mais pesado, o hatch acelera de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos, contra 11,2 segundos do Chevrolet. A diferença, embora pequena, mostra a vantagem do BYD em eficiência energética e desempenho.
O aspecto dimensional também revela contrastes importantes. O Spark, mesmo sendo menor em comprimento, largura e entre-eixos, leva vantagem no vão livre de 140 mm e nos ângulos de ataque e saída, reforçando sua vocação de SUV urbano. O Dolphin, por outro lado, garante mais espaço interno e conforto para os ocupantes graças ao entre-eixos maior de 2,70 m, ainda que com menor altura livre do solo.
Na autonomia, o hatch confirma sua liderança. O Inmetro aponta 291 km para o Dolphin, contra 258 km do Spark, números que, na prática, podem chegar próximos a 320 km e 300 km, respectivamente. Além disso, o BYD carrega mais rápido em corrente contínua, aceitando até 60 kW, enquanto o Chevrolet suporta 50 kW. No uso cotidiano, essas diferenças podem influenciar diretamente a escolha de quem roda longas distâncias.
O pacote de equipamentos, contudo, dá vantagem ao Chevrolet. O Spark EUV se destaca por oferecer piloto automático adaptativo, assistente de faixa, frenagem autônoma de emergência e seis airbags já na versão de entrada. O Dolphin só inclui tecnologias avançadas de assistência na versão Plus, de preço mais alto. Em contrapartida, o chinês traz central multimídia de 12,8”, carregador por indução e purificador de ar, ausentes no rival.
Outro ponto crucial está na garantia. A Chevrolet oferece três anos para o veículo e oito anos para a bateria ou 160 mil km, enquanto a BYD garante seis anos completos para o carro e oito anos para a bateria sem limite de quilometragem. Esse detalhe pode pesar para consumidores que buscam previsibilidade de custos e confiança no pós-venda, fortalecendo a atratividade do Dolphin.