Entenda os valores dos preços dos combustíveis

Com certeza todo mundo já parou pra pensar em algum momento porque o preço do combustível tem três dígitos depois da vírgula. Será que isso acontece só no Brasil? E qual o motivo?

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8 meses atrás
Entenda os valores dos preços dos combustíveis

O terceiro dígito após a vírgula é permitido por lei?

Sim, esse terceiro dígito misterioso que vemos depois da vírgula nos preços de combustível – e que abrange todo território nacional – é permitido por lei e se encontra numa portaria da ANP (Agência Nacional do Petróleo) criada ainda sob a vigência do Plano Real, em 1994.

Segundo a própria agência, essa casa decimal pretende proteger o consumidor, evitando que os postos revendedores arredondem o valor do combustível para cima para obter maior lucro. Por isso, mesmo após a revogação da mencionada portaria em 2013, essa regra continua sendo obrigatória para os postos.

Qual a vantagem na prática?

Em primeiro lugar é preciso saber que os postos pagam pelo combustível de forma diferente do que os consumidores finais. Enquanto nós compramos por litro, os revendedores compram por metros cúbicos (m3). Com isso, seria muito fácil fraudar os preços do combustível vendido ao consumidor final, já que as medidas são tão diferentes na compra e na venda. A terceira casa decimal depois da vírgula funciona como um mecanismo de proteção, ao menos na teoria.

Segundo a ANP, os revendedores (postos) podem ter uma margem de lucro de no máximo R$ 0,40 por litro de gasolina, e de R$ 0,27 por litro de etanol.

Como entre os custos figuram diversos elementos (produção, distribuição, revenda e impostos) fica mais fácil expressar o valor real com a terceira casa decimal.

À primeira vista ela parece não fazer muita diferença, e realmente para o consumidor não faz. Mas para um posto que vende centenas de litros de combustível por dia isso pode gerar diferenças enormes no valor final do lucro.

Um conta rápida

Para exemplificar isso vamos imaginar que um posto de combustível venda 20 litros de gasolina por dia para 1.000 clientes. Considerando que o preço da gasolina seja de R$ 4,299 o valor faturando ao fim do dia será de R$ 85.990. Se a terceira casa decimal não existisse, ou seja, se o preço fosse apenas R$ 4,29, o faturamento ao fim do dia seria de R$ 85.800. Uma diferença diária de R$ 190,00, que ao fim do mês somaria R$ 5.700.

Mas é claro que o posto vende bem mais do que isso por dia, e nem estamos colocando no cálculo os outros combustíveis (etanol, diesel e GNV). Caso a terceira casa decimal não existisse, provavelmente o posto fixaria o preço da gasolina em R$ 4,30 para deixar ao consumidor a diferença que ele não ia querer pagar. Então sim, a terceira casa depois da vírgula é importante, tanto para os postos quanto para os consumidores.

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