O Fiat Palio 2015 simboliza a transição de uma geração marcante para a consolidação de um hatch que se tornou referência entre os compactos no Brasil. Apresentado em 2011 sobre a plataforma do Novo Uno, trouxe um desenho inspirado no Punto, linhas limpas e, sobretudo, mais espaço interno. A carroceria ganhou 15% de rigidez em relação à geração anterior, atendendo melhor às exigências urbanas e à busca por conforto em um segmento altamente competitivo.
O Fiat Palio sempre foi um protagonista entre os carros compactos no Brasil. Lançado em meados dos anos 1990 para enfrentar o domínio do Volkswagen Gol, o modelo da Fiat apostou em conforto e suavidade de condução como diferenciais. Essa estratégia consolidou sua presença nas ruas e garantiu uma legião de consumidores fiéis ao longo de duas décadas.
A segunda geração, apresentada em 2011 e consolidada no mercado com a linha 2015, trouxe mudanças estruturais e um design mais moderno inspirado no Punto. Além do estilo atualizado, o hatch ganhou mais espaço interno, recebeu versões especiais e manteve a proposta de ser um carro urbano prático, econômico e de fácil manutenção, mas não sem apresentar alguns pontos de atenção típicos de um usado.
O modelo manteve a tradição da Fiat de oferecer múltiplas opções de motorização. O Palio 2015 podia ser encontrado com os motores 1.0 e 1.4 Fire Evo, além do 1.6 16V E.torQ, que entregava até 117 cv no etanol. O câmbio manual predominava, mas a marca insistiu no automatizado Dualogic, criticado pelo funcionamento pouco refinado. Ainda assim, o motor 1.6 foi o mais elogiado por proporcionar acelerações consistentes e cumprir o 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos, mesmo com engates imprecisos no câmbio.
As versões especiais foram um ponto forte da linha em 2015. A Sporting destacou-se pelo visual esportivo, com rodas aro 16, spoiler traseiro, suspensão 1 cm mais baixa e barra estabilizadora mais robusta. Houve ainda edições como a Interlagos, sempre em amarelo, e a Blue Edition, com acabamento exclusivo em azul. A Best Seller, por sua vez, celebrava o título de carro mais vendido de 2014. Cada série reforçava a estratégia da Fiat de manter o Palio atraente frente à concorrência.
O hatch também marcou presença por recursos pouco comuns na categoria. Em 2012, recebeu o teto panorâmico Sky Wind, item raro em modelos populares e que o colocava à frente de rivais em termos de opções de personalização. Entre os equipamentos de série, contava com ar-condicionado, vidros e travas elétricas, além de freios ABS e airbags frontais. Como opcional, podia ser equipado com sensores de chuva, retrovisores elétricos, piloto automático e até teto-solar, aproximando-o de modelos mais caros.
O Fiat Palio viveu ainda um curioso convívio interno. A primeira geração, renomeada Palio Fire, continuou em linha como a opção mais barata da marca até 2016. Juntas, as duas gerações alcançaram um feito histórico: em 2014, superaram o Volkswagen Gol, interrompendo uma hegemonia de 27 anos do rival. Foram apenas 378 unidades de diferença, mas suficientes para colocar o compacto da Fiat no topo das vendas.
Na manutenção, o Palio 2015 se destacava por custos razoáveis e ampla oferta de peças. Pastilhas de freio variavam de R$ 45 a R$ 80, velas custavam de R$ 80 a R$ 130 e amortecedores traseiros, em torno de R$ 700 a R$ 900 o par. Porém, não escapava de problemas recorrentes. O sistema de arrefecimento era alvo de críticas devido à fragilidade do reservatório de água, que se quebrava facilmente. Infiltrações nos faróis, falhas na aceleração e vazamentos de óleo também estavam entre as queixas mais comuns.
A lista de recalls reforçou a necessidade de atenção na compra de um usado. Entre 2012 e 2017, houve campanhas para substituição de airbags, fechos de cintos de segurança, atuadores de embreagem, alternadores e sensores de marcha. São pontos que exigem verificação cuidadosa antes da compra. Apesar disso, o modelo manteve reputação de carro urbano robusto, acessível e ainda hoje é visto como uma escolha racional para quem busca praticidade, espaço e baixo custo de manutenção em um usado.
Fonte: AutoPapo, Mobiauto e Icarros.