Laboratório da UFSC Joinville cria sistema para reduzir emissão de partículas dos freios de motos

Nem todo mundo sabe, mas os freios das motos também poluem o ar. Para mudar isso, a UFSC Joinville criou um sistema que coleta as partículas liberadas durante os testes de frenagem. Com uma câmara de clausura e automação total do processo, o equipamento permite medir e reduzir a emissão desses poluentes invisíveis. O objetivo é desenvolver pastilhas mais limpas e padronizar testes, com apoio da Frasle e foco na saúde pública.
Publicado por em Mobilidade e Motos dia

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Pesquisadores da UFSC Joinville desenvolveram um sistema que coleta partículas emitidas por freios de motos, buscando reduzir a poluição do ar causada pela frenagem.

Pontos Principais:

  • Projeto busca reduzir poluentes emitidos por freios de motocicletas.
  • Equipamento permite coleta de partículas durante testes de frenagem.
  • Automação da moto garante repetição padronizada dos ensaios.
  • Pesquisa tem apoio da empresa Frasle, do setor de componentes automotivos.

O Laboratório de Acústica e Vibrações da UFSC, no campus Joinville, desenvolveu um sistema de clausura para motocicletas que coleta partículas geradas pela frenagem em ambiente controlado. O objetivo da pesquisa é reduzir a emissão de material particulado proveniente do desgaste de freios, que contribui para a poluição atmosférica e pode impactar a saúde respiratória da população.

Sistema criado no campus da UFSC em Joinville captura partículas liberadas pelos freios de motos em testes, com uso de clausura, filtros e automação da frenagem.
Sistema criado no campus da UFSC em Joinville captura partículas liberadas pelos freios de motos em testes, com uso de clausura, filtros e automação da frenagem.

A frenagem com freios a disco gera partículas finas por conta do atrito entre o disco e a pastilha. Essas partículas, muitas vezes invisíveis, são lançadas no ar e estão entre os principais poluentes veiculares não derivados da queima de combustíveis. O novo sistema da UFSC busca conter essa emissão durante testes de bancada.

O dispositivo fixa a moto ao chão, com a roda traseira suspensa. O conjunto de disco e pastilha fica enclausurado numa câmara com fluxo de ar controlado, que passa por filtros antes de seguir para um sistema de coleta. Isso permite medir com precisão a quantidade de partículas geradas em cada ciclo de frenagem.

O modelo piloto foi desenvolvido com base na motocicleta BMW G310GS. Para garantir repetibilidade nos testes, os pesquisadores implementaram um sistema automatizado de aceleração e frenagem, eliminando variações humanas. Essa automação padroniza os dados e melhora a análise do desempenho dos materiais.

Dois trabalhos de conclusão de curso foram produzidos a partir do projeto: um focando na análise do desgaste das pastilhas e outro na criação da bancada de testes. O grupo de pesquisa pretende avançar para o desenvolvimento de pastilhas com menor geração de partículas, em parceria com a empresa Frasle, especializada em sistemas de frenagem.

O sistema poderá ser adaptado para outras motocicletas e também em testes com automóveis. A proposta é tornar os testes mais limpos e contribuir com soluções que ajudem a mitigar os impactos da poluição urbana provocada por veículos.

Fonte: UFSC?utm_source=carro.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.