A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (12) uma nova fase da operação que expôs o alcance do esquema de descontos ilegais em aposentadorias e benefícios previdenciários. Batizada de Cambota, a ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal teve como alvos principais Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. Ambos são apontados como operadores centrais da rede de desvio de recursos que explorava aposentados e pensionistas.
Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os itens apreendidos, chamaram atenção uma réplica de carro de Fórmula 1, inspirada no modelo utilizado por Ayrton Senna nos tempos de McLaren, e uma Ferrari de luxo. Também foram encontrados relógios de alto padrão e quantias significativas em dinheiro vivo, revelando a dimensão do patrimônio ligado ao grupo investigado.
As imagens divulgadas pela corporação reforçam a narrativa de ostentação e ocultação de bens. Os investigadores afirmam que esses veículos e artigos de luxo eram usados como instrumentos de lavagem e dissimulação de patrimônio, criando uma fachada de sucesso empresarial dissociada da origem ilícita dos recursos.
Além das prisões, a operação mirou também o advogado Nelson Williams, alvo de mandados de busca. A relação dele com Camisotti e a entidade Ambec, uma das principais investigadas, está sob escrutínio das autoridades. A suspeita é de que a estrutura jurídica tenha funcionado como suporte para dificultar ou embaraçar as investigações em andamento.
A operação Cambota é um desdobramento da chamada Sem Desconto, que desde fases anteriores vem rastreando o fluxo de dinheiro desviado de benefícios previdenciários. Nesta etapa, os crimes apurados incluem impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação de patrimônio e tentativas de obstrução direta da atuação da Justiça.
O uso de mandados expedidos pelo Supremo reforça a gravidade das acusações. A PF destaca que os mecanismos empregados pelos suspeitos não se limitavam a fraudes administrativas, mas envolviam também a construção de redes de proteção jurídica e financeira para blindar os líderes do esquema.
As prisões de hoje representam um passo decisivo para as autoridades que acompanham há meses a movimentação dos investigados. O “Careca do INSS”, figura já conhecida por supostos vínculos em casos anteriores, é tratado como peça-chave na engrenagem de captação de recursos ilícitos. A exposição pública dos bens apreendidos, em especial a Ferrari e a réplica do carro de Senna, funciona como símbolo da desconexão entre a riqueza ostentada e a realidade dos aposentados lesados pelo esquema.
Fonte: Cbn e Agenciabrasil.