O Observatório Nacional de Segurança Viária divulgou um estudo que mostra contrastes marcantes entre regiões do Brasil quando o assunto é segurança no trânsito. O levantamento, batizado de IRIS, avaliou os 26 estados e o Distrito Federal em sete pilares fundamentais, trazendo um retrato detalhado sobre gestão, fiscalização, infraestrutura e mortalidade.
O Distrito Federal aparece no topo do ranking, com quatro pontos em cinco possíveis. O desempenho foi puxado pela boa governança viária, eficiência na normatização e fiscalização e indicadores positivos de mortalidade. Em contraste, o Amazonas ficou em último lugar, com apenas 1,86 ponto, revelando falhas profundas em vias, gestão e atendimento às vítimas.
A segunda colocação ficou com o Rio Grande do Sul, seguido por Goiás, Paraná e Rio de Janeiro, que empataram em terceiro lugar. Já estados do Norte, como Pará, Amapá, Maranhão e Roraima, ocuparam as posições mais baixas da lista. O estudo ressalta que números baixos de infrações não refletem necessariamente boas práticas, mas sim ausência de fiscalização.
Quando analisados os pilares separadamente, os contrastes ficaram ainda mais evidentes. Em gestão da segurança, o DF liderou com nota máxima, enquanto estados como Pará e Amapá obtiveram desempenho nulo. Em vias seguras, São Paulo destacou-se com nota 10, enquanto Amazonas e Acre não alcançaram sequer um ponto.
Na segurança veicular, o resultado surpreendeu: estados do Norte, como Pará, Maranhão e Tocantins, lideraram devido à renovação de frota e exigência de equipamentos obrigatórios como ABS e ISOFIX. Por outro lado, estados do Sul e Sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo, ficaram entre os últimos colocados.
Em educação para o trânsito, o Rio Grande do Sul liderou com nota máxima, acompanhado por estados como Sergipe e Espírito Santo. Já Amazonas e Roraima apresentaram notas baixíssimas, refletindo problemas no comportamento dos condutores e na falta de campanhas educativas.
No atendimento às vítimas, Rondônia ficou em destaque positivo, com ampla estrutura hospitalar e disponibilidade de profissionais, enquanto o Amazonas novamente ocupou a lanterna. Em normatização e fiscalização, o Distrito Federal obteve nota 10, consolidando sua liderança. Já no indicador de mortalidade, São Paulo e DF lideraram, contrastando com estados do Nordeste e Norte, que exibiram taxas mais preocupantes.
A leitura geral do painel revela um país desigual. Enquanto o Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste apresentam avanços consistentes, o Norte acumula fragilidades estruturais históricas. Para os especialistas, esses dados expõem a urgência de políticas públicas mais eficazes, com foco em fiscalização, infraestrutura e atendimento médico emergencial para reduzir a mortalidade no trânsito.