O Amapá se insere de maneira singular na transição energética nacional, abrindo espaço para uma mobilidade elétrica que até pouco tempo parecia restrita às grandes capitais. O estado já conta com mais de 300 veículos elétricos em circulação, reflexo do aumento do interesse por tecnologias limpas e da preocupação com os custos crescentes dos combustíveis fósseis.
A expansão não ocorre de forma isolada: quatro pontos de recarga já estão em funcionamento em Macapá, Porto Grande e Tartarugalzinho, mostrando que a infraestrutura acompanha a demanda. Segundo especialistas, a presença de carregadores rápidos, capazes de abastecer um veículo em cerca de 40 minutos, facilita a adesão de usuários que dependem do carro diariamente.
Empresários locais relatam ganhos concretos. O caso de Wellison Figueiredo, que trocou o carro a combustão por um elétrico, exemplifica os benefícios: despesas com gasolina e manutenção foram praticamente eliminadas, reforçando o apelo econômico do investimento.
No setor automotivo, profissionais também destacam que os veículos elétricos têm menos peças sujeitas a desgaste. A gerente de concessionária Mírian Rocha observa que a manutenção básica se restringe a suspensão e freios, sem a necessidade de trocar componentes tradicionais de motores a combustão. Esse fator torna o custo-benefício evidente para consumidores atentos a gastos recorrentes.
A perspectiva da eletrificação no Amapá não se resume apenas a vantagens financeiras. Especialistas, como Milena Megre, lembram que a adoção de veículos elétricos se conecta diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que visam reduzir o uso de combustíveis fósseis e ampliar o acesso a energia limpa até 2030.
Além disso, a entrada dos elétricos no estado indica um perfil de consumidor específico: pessoas ligadas à tecnologia, preocupadas com o meio ambiente e conscientes de seu impacto. Esse perfil reflete uma mudança cultural que pode influenciar hábitos de consumo e pressionar por mais infraestrutura e incentivos.
Com a crescente rede de carregamento e o interesse de empresas em oferecer soluções energéticas, o Amapá se torna um exemplo regional de como a mobilidade elétrica pode avançar para além das metrópoles. O movimento abre espaço para novos modelos de negócios, reduz poluição e mostra que até estados distantes dos grandes centros podem liderar transformações na matriz de transporte.
Fonte: G1.