Caso Igor Peretto vai a júri popular: triângulo amoroso, herança e 40 facadas
O assassinato de Igor Peretto, ocorrido em agosto do ano passado em Praia Grande, litoral de São Paulo, está prestes a ser submetido ao julgamento popular. O comerciante de 27 anos foi morto com 40 facadas no apartamento da própria irmã, Marcelly Peretto, que está entre os três réus do caso. Além dela, respondem criminalmente a esposa da vítima, Rafaela Costa, e o sócio dele, Mário Vitorino. O Ministério Público sustenta que o crime foi premeditado e teve motivação financeira.
Pontos Principais:
- Igor Peretto foi assassinado com 40 facadas em Praia Grande.
- Esposa, irmã e sócio da vítima são réus por homicídio triplamente qualificado.
- Mensagens obtidas mostram relação íntima e suposto triângulo amoroso.
- Ministério Público aponta premeditação e interesse na herança do comerciante.
Segundo a investigação, o trio mantinha uma relação íntima e conflituosa, com indícios de envolvimento emocional entre Rafaela e Mário. O objetivo, segundo os autos, seria eliminar Igor e assumir seus bens e empresas. A linha do tempo apresentada pelos investigadores inclui imagens de câmeras de segurança, registros de movimentações no condomínio e mensagens resgatadas nos celulares dos acusados. Esses elementos formaram a base do inquérito que sustentou o pedido de prisão preventiva.

Na tarde do crime, câmeras mostram Rafaela e Marcelly chegando juntas ao prédio. Depois, Rafaela aparece saindo sozinha. Mais tarde, Igor e Mário entram no elevador e discutem. A sequência culmina na execução brutal do empresário, dentro do apartamento da irmã. A perícia aponta que Igor foi atingido por 40 golpes de faca. Após o homicídio, os três fugiram juntos para Campos do Jordão, no Vale do Paraíba, onde foram localizados pela polícia.
A narrativa apresentada pelo Ministério Público é reforçada por trocas de mensagens entre Rafaela e Mário. Nos diálogos, os dois se tratam com intimidade e trocam declarações amorosas. Em uma das conversas, Mário diz: “eu quero você para sempre”. Em outra, Rafaela demonstra ciúmes da irmã ao comparar mensagens enviadas por ele para sua ex-mulher. Mário responde: “se quisesse, estava com ela, não contigo”. O nome de Rafaela, salvo como “acessório” no celular de Mário, foi interpretado como indício de relação extraconjugal.
Apesar dos indícios, os três réus negam envolvimento direto no crime e rejeitam a tese de relacionamento amoroso entre eles. Rafaela e Mário, principalmente, afirmam que nunca foram amantes. A defesa alega que os elementos reunidos são insuficientes para comprovar premeditação ou coautoria, e sustentam que as mensagens foram tiradas de contexto. A irmã da vítima também nega ter participado da execução.
Do casamento com Rafaela, Igor teve dois filhos, hoje sob a tutela da avó materna. A repercussão do caso preocupa os familiares das crianças, especialmente o tio, que teme os efeitos psicológicos da tragédia no futuro delas. O caso, amplamente divulgado na imprensa, segue tramitando na Justiça paulista e o desfecho será definido em plenário com a convocação do júri popular. A decisão se aproxima após três audiências de instrução realizadas até o momento.
A brutalidade do crime, somada aos elementos emocionais e financeiros que envolvem os acusados, fez do caso Igor Peretto um dos mais emblemáticos do litoral paulista nos últimos anos. A justiça agora irá avaliar se as provas colhidas são suficientes para uma condenação por homicídio triplamente qualificado. O julgamento deve ocorrer ainda neste segundo semestre.
Fonte: G1.


































