Quando estamos pretendendo trocar de carro e começamos a pesquisar sempre bate aquela curiosidade sobre os leilões. São confiáveis? Realmente vale a pena? Qual a economia de comprar em leilão? E a revenda? Vamos tentar ajudá-lo a entender como funcionam atualmente os leilões de carros.
Os leilões de automóveis como eles existem hoje podem ser uma grande oportunidade para quem procura um carro um pouco melhor por um bom preço, ou para quem não quer financiar um veículo 0Km. Em alguns casos a economia chega a 30% do valor na Tabela FIPE.
Contudo, existem alguns cuidados que devem ser tomados para não comprar um veículo que esteja em condições desfavoráveis, caso no qual os gastos podem ser maiores até do que o mesmo modelo e versão numa compra comum. Mas como saber qual veículo comprar?
Há 5 anos os leilões só eram “frequentados” por empresas, mas o cenário vem mudando nos últimos anos, e atualmente cerca de 20% dos arremates é feito por pessoa física. Isso mostra uma mudança no mercado, o que se deve em grande parte à origem dos veículos, a qual tem variado bastante também.
A procedência do carro leiloado é um dos pontos mais importantes para quem pretende entrar no jogo, ou melhor, no negócio. Antigamente os carros que iam pra leilão eram veículos recuperados pelas seguradoras por causa de sinistros. Empresas os compravam para aproveitar peças pra revenda.
Mas não é um bom negócio para quem pensa em utilizar o veículo pra uso próprio. Nesse sentido, fuja de veículos cuja procedência seja sinistrados de seguradoras. As melhores opções são carros de frota ou 0km que tiveram alguma avaria no transporte e que já não podem mais ser vendidos como “novos”.
Uma das melhores opções são de veículos provenientes de frotas, como se mencionou acima. Procure ficar informado sobre empresas que estejam pra renovar sua frota e como se dará o leilão.
Geralmente, esses veículos estão em bom estado de conservação, estão totalmente revisados e são relativamente novos. Os pregões desses veículos são uma das melhores oportunidades no ramo, e acontecem com uma frequência grande.
É aqui onde há a maior incidência de pessoa física arrematando. Ao contrário do que muita gente pensa, um particular leva vantagem sobre os lojistas, já que estes precisam trabalhar com uma margem de lucro, enquanto que o particular já é o consumidor final.
Nos leilões não é permitido ligar o motor do carro por motivos de segurança. Nesse sentido, se você não é um grande entendedor de carros é bom estar acompanhado de um mecânico de confiança, que cobrará uma taxa de R$ 80,00 a R$ 150,00 para ajudar na análise. Lembre-se que você já vai estar economizando pelo menos 20% do valor do veículo, então não economize para fazer uma boa escolha.
Mas deixar de ligar o motor não é perigoso? Em teoria não. As grandes empresas costumam informar a avaria mecânica ou devolvem o dinheiro caso o motor esteja fundido.
Um dos grandes facilitadores que permitiu a maior participação de pessoa física nos leilões de automóveis é que muitos deles passaram a contar com o recurso da internet, ou seja, pessoas podem dar o lance mesmo não estando fisicamente presentes.
Mas nessa modalidade os riscos são um pouco maiores, a menos que a descrição do veículo esteja bastante detalhada e a empresa seja confiável. Sendo possível é sempre melhor realizar a compra pessoalmente.
Um dos maiores perigos de se adquirir um veículo em leilão é a afobação do comprador. Não será em uma ou duas horas de busca que o veículo certo vai ser encontrado. É preciso paciência e dedicação na busca.
O leilão não é um jogo, mas um negócio. Ninguém vai à concessionária sem saber quanto pode gastar e que modelo pretende. Quando muito pode escolher uma versão um pouco melhor ou adicionar itens opcionais.
Com o leilão é a mesma coisa, defina ao menos um valor que pretende gastar e alguns modelos que se encaixem dentro do orçamento. Lembre-se também dos gastos adicionais que qualquer carro de leilão vai trazer (possíveis reparos, pneus, revisão completa em mecânico, IPVA e multas, entre outros) bem como 5% de comissão do leiloeiro, taxa administrativa (algo em torno de R$ 500,00 a R$ 800,00), as diárias do veículo no pátio (R$ 50,00) e a documentação.
Cada leilão terá um edital com os regulamentos e informações pertinentes ao estado legal dos veículos: se existem defeitos, se o IPVA está quitado, qual valor inicial do lance e os custos adicionais a cargo do comprador.
Muitas pessoas erram justamente nesse ponto. Não verificam as demais despesas que o veículo traz consigo e acabam tendo surpresas e estourando o orçamento. Erro fácil de evitar, basta uma leitura atenta ao edital.
Do ponto de vista legal existem dois tipos de leilão: judicial e extrajudicial.
O leilão judicial é aquele cuja origem provém de uma ordem judicial. Ou seja, um bem que a Justiça obrigou a ser leiloado. Nesse caso, quando o veículo é arrematado, o Juiz precisa homologar (aprovar) a venda, e só depois disso começa o trâmite para liberar o veículo. Em casos assim é possível que existam custos adicionais como honorários advocatícios e despachantes. Então, se você tem pressa não arremate um veículo em leilão judicial.
A modalidade mais comum, entretanto, é a extrajudicial, que é o caso de frotas, veículos 0km que tiveram alguma avaria no transporte, recuperação de financiamento de banco e sinistrados pela seguradora. Esses tem um processo mais agilizado para ser liberado ao novo proprietário.
Se você é novato nos negócios de leilão e quer adquirir seu veículo, antes de começar a dar lances e talvez se perder pelo meio do caminho, acompanhe apenas como um espectador alguns leilões e tente observar os preços que os carros foram arrematados com os do mercado para ver se em qual foi feito um bom negócio. Isso vai te preparar para participar ativamente dos leilões.
Sim, é possível uma pessoa física leiloar o próprio veículo. Alguns aplicativos como o Vipdireto se prestam a isso, e um leiloeiro servirá de intermediário para a venda. A melhor proposta feita será apresentada ao proprietário quem dará a palavra final.
Aqui está um dos pontos negativos da compra de carros de leilão, é muito difícil conseguir que uma seguradora aceite o veículo. Algumas delas simplesmente não oferecem apólices para carros nessas condições, e as que oferecem exigem uma vistoria técnica por conta do cliente para saber se o veículo se encontra em condições. Se o laudo for positivo, mesmo assim a seguradora não cobrirá o preço da Tabela FIPE, chegando no máximo a 80% do valor do veículo.
Algumas outras dicas importantes estão esquematizadas abaixo e podem ajudar na hora de comprar seu veículo em um leilão:
Além desses leilões de carros comuns, existe um outro especializado em veículos antigos e até de colecionador que está ganhando força no mercado brasileiro. É o sonho de muita gente ter um modelo da década de 60 ou 70 em bom estado de conservação, e eles agora podem ser encontrados nesses leilões.
O veículo mais caro vendido num leilão foi uma Ferrari 250 GTO de 1962 vendida por US$ 38 milhões (cerca de R$ 121 milhões) em 2014. Mas é possível encontrar modelos bem mais em conta…