As coordenadas geográficas são um sistema de localização baseado em linhas imaginárias de latitude e longitude que ajudam a identificar qualquer ponto da superfície terrestre. O cruzamento entre o meridiano de Greenwich e a linha do Equador define o ponto zero do planeta, localizado no Golfo da Guiné, no meio do Atlântico tropical.
Antes desse padrão global ser estabelecido, cada país utilizava seus próprios referenciais, o que tornava a navegação confusa e desorganizada. A unificação só ocorreu em 1884, na Conferência Internacional do Meridiano, quando 25 países decidiram adotar o meridiano de Greenwich como o principal marco de longitude.
Apesar da importância teórica, a realidade do ponto zero é bem menos espetacular. Na prática, não há terra firme nem qualquer marco natural na coordenada 0,0. O que existe é apenas uma boia meteorológica do sistema PIRATA, chamada Estação 13010 – Soul, que coleta dados sobre vento, temperatura e umidade para auxiliar em pesquisas climáticas.
O sistema PIRATA, que conta com mais de uma dezena de boias espalhadas pelo Atlântico tropical, é um recurso fundamental para o monitoramento de fenômenos climáticos. Esses equipamentos auxiliam na previsão de padrões de circulação oceânica e na compreensão de eventos como secas e chuvas intensas.
Foi nesse vazio cartográfico que surgiu a chamada Ilha Nula. Criada por geógrafos voluntários do projeto Natural Earth, trata-se de uma invenção fictícia adicionada em sistemas de informação geográfica. Embora não exista fisicamente, tornou-se útil para identificar falhas de geocodificação em serviços de mapeamento.
Nos mapas digitais, essa ilha aparece como um ponto minúsculo, com menos de um metro quadrado de área. Apesar do tamanho irrisório, ganhou bandeira, geografia inventada e até certa notoriedade no universo da cartografia. Quando algum erro de localização ocorre em softwares de mapas, muitas vezes a coordenada 0,0 é o destino registrado, e assim a “Ilha Nula” cumpre sua função.
A combinação entre a importância científica do ponto zero e a criação simbólica dessa ilha fictícia mostra como a geografia digital não serve apenas para orientar deslocamentos, mas também para solucionar problemas técnicos de sistemas de informação, transformando um vazio no meio do oceano em uma referência curiosa.
Fonte: Wikipedia.