É verdade que o carro aquece mais no verão? A verdade sobre por que seu carro “escolhe” o dia da viagem para ferver

Carro passa a ter risco maior de superaquecimento acima de 35 °C no verão de 2025, quando o sistema de arrefecimento perde eficiência e panes aumentam.
Publicado por em Dicas dia
É verdade que o carro aquece mais no verão? A verdade sobre por que seu carro “escolhe” o dia da viagem para ferver

Siga o Carro.blog.br no Google e receba notícias automotivas exclusivas!

Pontos Principais:

  • O calor elevado reduz a eficiência da troca térmica entre radiador e ar ambiente.
  • Trânsito, ar-condicionado e carga extra aumentam o esforço do sistema de arrefecimento.
  • Pane por superaquecimento quase sempre indica falha pré-existente no carro.
  • Radiador obstruído, ventoinha defeituosa e sensores falhando são causas comuns.
  • Manutenção preventiva evita panes e danos graves ao motor no verão.

O engarrafamento anda, para, anda de novo. O ar-condicionado fica ligado o tempo todo. O ponteiro da temperatura começa a subir e a dúvida aparece antes do aviso no painel, dá para seguir ou é melhor encostar agora. No verão brasileiro, essa cena se repete porque o calor aperta onde o carro é mais sensível, o sistema de arrefecimento.

Quando o termômetro passa dos 35 °C, o motor já não consegue perder calor com a mesma facilidade. O princípio é simples e cruel. O radiador depende da diferença de temperatura entre o líquido quente e o ar ambiente. Com o ar já aquecido, a troca fica lenta e o conjunto trabalha perto do limite. Em trânsito pesado ou em estrada com subida longa, o esforço aumenta e qualquer peça fora do padrão vira gatilho para pane.

Esse estresse extra aparece mesmo em carros novos. A ventoinha passa a ligar com mais frequência, o compressor do ar-condicionado joga calor adicional para a frente do radiador e a margem de segurança diminui. Em veículos em dia, o sistema aguenta. Quando não aguenta, o problema quase nunca nasce ali. Ele já estava instalado, só esperando um verão forte para se revelar.

“No calor intenso e em congestionamentos, a orientação é manter distância maior, evitar paradas longas com o carro ligado e sair da via ao primeiro sinal de temperatura alta, porque pane no acostamento vira risco imediato de colisão.”

O mito mais comum aponta o fluido vencido como vilão imediato. A troca periódica evita corrosão interna, borra e desgaste dos aditivos, mas não costuma causar fervura súbita sozinha. O que costuma aparecer antes é radiador com aletas amassadas por lavagem errada, mangueira ressecada, sensor de temperatura impreciso ou ventoinha que demora a entrar em ação. Falhas elétricas pequenas ganham peso quando o calor aperta.

Segundo especialistas em engenharia automotiva, o verão não cria defeito, apenas expõe o que já estava fora do lugar. O sistema é dimensionado para situações severas, mas possíveis, como estrada carregada e altas temperaturas. Quando o motor ferve, algo já não estava cumprindo sua função.

O risco aumenta quando a reação é errada. Abrir o reservatório de expansão com o motor quente pode liberar vapor sob pressão e causar queimaduras graves. Se a temperatura ainda estiver abaixo do limite crítico, desligar o ar-condicionado, aliviar o ritmo e buscar um local seguro faz diferença. Qualquer sinal de fervura pede parada imediata.

A manutenção preventiva continua sendo a defesa mais barata. Verificar vazamentos, estado das correias, funcionamento da ventoinha, limpeza do radiador e aspecto do fluido evita panes caras e danos no motor. Em 2025, com verões cada vez mais intensos, ignorar esses sinais significa aceitar que a próxima viagem pode terminar no acostamento, capô aberto, esperando o motor decidir quando vai esfriar.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.