FAKE: Vídeo de Dia das mães em que drones formado imagem de Nossa Senhora ao lado do Cristo no RJ é falso
Durante o fim de semana que antecedeu o Dia das Mães, um vídeo que circulou nas redes sociais chamou a atenção do público ao mostrar uma suposta projeção de drones formando a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. A cena viralizou rapidamente, com milhões de visualizações e comentários emocionados. Muitos usuários interpretaram a imagem como uma homenagem oficial à data comemorativa.
Pontos Principais:
- Vídeo viral com imagem de Nossa Senhora foi feito com CGI e não drones.
- Produção faz parte da divulgação de um filme independente sobre a padroeira.
- O Santuário Cristo Redentor negou envolvimento ou autorização para a ação.
- A peça gerou confusão nas redes ao ser compartilhada como homenagem real.
Com grande alcance nas plataformas digitais, as publicações mencionavam que os drones teriam sido usados para criar o efeito luminoso em pleno céu noturno. As mensagens indicavam que a aparição da santa, padroeira do Brasil, ao lado do monumento do Cristo, seria parte de um tributo católico visual para celebrar as mães brasileiras, misturando religiosidade, tecnologia e simbolismo nacional em um só ato.
Contudo, uma apuração feita por veículos especializados em checagem de informações revelou que a imagem não foi criada por drones reais, tampouco ocorreu algum evento físico no local. Trata-se de uma produção visual elaborada por computação gráfica, com objetivo publicitário vinculado à divulgação de um projeto cinematográfico independente.
Verificação e origem da imagem

A equipe responsável pela checagem entrou em contato com a produtora do filme citado, intitulado “Aparecida”, que confirmou que o vídeo foi desenvolvido com o uso de CGI (imagens geradas por computador). Não houve qualquer projeção luminosa sobre o céu da cidade, tampouco participação de equipamentos como drones para a exibição visual que viralizou.
O projeto audiovisual está em fase de captação de recursos e busca, com essa ação simbólica, atrair atenção do público para o tema da devoção mariana. Segundo a própria equipe de produção, o intuito da peça é provocar emoção e apresentar uma prévia artística da proposta narrativa do filme.
A apuração também envolveu consulta ao Santuário Cristo Redentor, instituição responsável pelo monumento no alto do Corcovado. A administração esclareceu que não participou da ação, não autorizou projeções de imagem e não houve qualquer atividade visual semelhante à apresentada no vídeo em questão.
Reações e repercussão nas redes
Mesmo sendo um vídeo fictício, o conteúdo alcançou grande visibilidade, sendo reproduzido por perfis com milhões de seguidores. A comoção foi motivada pela junção de dois símbolos religiosos importantes para a cultura brasileira, especialmente em uma data que reforça laços afetivos familiares e homenagens à figura materna.
As publicações traziam interpretações emocionadas da cena, muitas vezes atribuindo-a a iniciativas da Igreja ou de órgãos públicos, o que contribuiu para a disseminação da informação equivocada. Algumas legendas indicavam que a ação teria ocorrido com apoio de autoridades locais ou de instituições religiosas, o que também foi desmentido.
A confusão gerada em torno da veracidade da imagem reforça o papel dos serviços de verificação de conteúdo, principalmente em datas simbólicas, quando a emoção pode se sobrepor à análise crítica das fontes. A circulação de vídeos manipulados com ferramentas digitais tem sido cada vez mais comum e exige atenção redobrada da audiência.
Motivação publicitária e posicionamento oficial
O uso de computação gráfica como estratégia de divulgação não é novo, mas neste caso gerou uma percepção pública que ultrapassou o propósito inicial. Ao apresentar a imagem em um contexto emocional, a ação conseguiu mobilizar reações espontâneas que deram visibilidade ao projeto do filme, ainda que de maneira não intencionalmente enganosa.
O Santuário Cristo Redentor reforçou que nenhuma autorização foi emitida para qualquer tipo de projeção aérea ou intervenção visual ao lado do monumento. A instituição declarou que todas as ações desse tipo precisam passar por avaliação prévia, o que não ocorreu nesse caso.
Segundo a produtora do filme, a escolha pela data de exibição do vídeo foi estratégica por estar próxima ao Dia das Mães, temática central do vídeo e também presente no enredo da obra. A produtora afirmou que não pretendia induzir o público ao erro e que as informações sobre a natureza virtual da cena estavam descritas nas publicações originais.
Conclusão e contexto mais amplo
A propagação de vídeos falsos ou manipulados com efeitos digitais reforça a importância da checagem antes da divulgação. Embora o caso em questão envolva uma peça publicitária e não tenha causado prejuízo direto, ele ilustra como conteúdos simbólicos podem se tornar virais com interpretações equivocadas.
A mistura entre fé, emoção e tecnologia cria um cenário propício para confusões, especialmente quando os vídeos são acompanhados por legendas impactantes. O uso de CGI para fins artísticos é válido, mas deve ser acompanhado de sinalização clara para não induzir ao erro.
Com a crescente sofisticação de ferramentas digitais de edição e animação, a tendência é que mais vídeos como esse circulem nas redes sociais. O papel dos veículos de comunicação e dos usuários é manter uma postura crítica e buscar fontes confiáveis antes de compartilhar conteúdos sensíveis ou de grande apelo popular.
Fonte: G1.


































