MC Poze do Rodo, conhecido por seu nome verdadeiro Marlon Brendon Coelho Couto, foi preso no Rio de Janeiro, segundo informações da polícia, por suspeita de envolvimento direto com o Comando Vermelho, facção que domina parte das comunidades cariocas. As investigações realizadas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes apontam que o cantor tem uma ligação sólida com integrantes do grupo, sendo figura constante em eventos nas comunidades, onde armas de grosso calibre e a presença ostensiva de traficantes eram uma cena comum. A polícia investiga como essas apresentações e a postura do funkeiro contribuíram para fortalecer a atuação criminosa e para a lavagem de dinheiro oriunda do tráfico.
Pontos Principais:
De acordo com o que foi apurado, MC Poze realizava shows em locais controlados pela facção, como o Complexo do Alemão e a Cidade de Deus, locais historicamente marcados pela violência e pela atuação de traficantes armados. Durante as apresentações, sempre havia grande quantidade de fuzis e armas pesadas expostas, enquanto Poze cantava músicas que, segundo a polícia, iam além da liberdade de expressão, promovendo a cultura do crime. A suspeita das autoridades é que essas festas ajudavam a criar um ambiente de legitimação e fortalecimento da facção, servindo como vitrine do poder da organização criminosa.
A investigação da polícia também identificou que Poze participava de rifas que ofereciam veículos de luxo e transferências de dinheiro via Pix, com valores que podiam chegar a R$ 200 mil. Essas rifas seriam utilizadas para lavar dinheiro proveniente do tráfico, já que a documentação dos automóveis nunca era repassada aos supostos vencedores. As autoridades suspeitam que esse esquema ilegal era uma forma de movimentar recursos de maneira disfarçada, criando a aparência de legalidade e mascarando a origem criminosa do dinheiro.
Os investigadores afirmam que, embora os sorteios usassem como referência a Loteria Federal para simular credibilidade, não havia qualquer auditoria oficial, reforçando a desconfiança de fraude e manipulação. Essa estratégia serviria para dar aparência de legalidade, mas ao mesmo tempo permitiria o fortalecimento financeiro da facção e garantiria que Poze continuasse fazendo shows em áreas controladas por traficantes, reforçando o poder da organização. Essa prática de rifas ilegais está no centro das investigações, que buscam confirmar a lavagem de dinheiro e a participação do cantor no esquema.
Além das suspeitas que recaem sobre as rifas, a polícia também chamou atenção para o comportamento do funkeiro nas redes sociais, onde ele comemorou a decisão judicial que determinou a devolução de veículos e joias apreendidos durante uma operação anterior. Esses bens de luxo, que incluem carros de marcas como Land Rover, BMW e Honda HR-V, foram restituídos pelo juiz Thales Nogueira, em decisão parcial que atendeu aos pedidos da defesa do cantor e de sua esposa, Viviane. Para a polícia, o episódio fortalece a tese de que Poze está diretamente envolvido em práticas ilegais ligadas à facção.
As festas promovidas com a presença do artista e a ostentação de armamentos são vistas pela polícia como momentos em que a facção exibe sua força e amplia seu domínio nas comunidades. A suspeita é que a música e a imagem de Poze funcionem como ferramenta de propaganda do Comando Vermelho, usando a cultura e o entretenimento como fachada para atividades ilícitas e expansão territorial. O fato de Poze sempre estar em eventos onde o tráfico exibe seu arsenal cria um elo suspeito e direto com a atuação criminosa.
O inquérito segue em andamento e a polícia trabalha para identificar todos os envolvidos no esquema, buscando consolidar provas que mostrem como a ligação do cantor com o Comando Vermelho vai além da música. As investigações querem entender como os shows de MC Poze se tornaram um instrumento de poder e influência da facção, misturando arte e crime em um cenário de violência e domínio territorial. O caso expõe uma realidade onde a cultura de massa se entrelaça com o crime organizado, criando um ambiente onde a música se transforma em propaganda e as comunidades vivem sob o signo do medo e da força das armas.
Fonte: Folha e Metropoles.