Oruam preso: cantor se entrega após acusação de abrigar foragido ligado ao CV
O rapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, conhecido como Oruam, se entregou à polícia do Rio de Janeiro no fim da tarde desta terça-feira. O artista, acompanhado da mãe e da namorada, compareceu à Cidade da Polícia logo após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Ele havia postado um vídeo afirmando que se entregaria, mas pouco depois sua conta saiu do ar. Na chegada à delegacia, declarou: “Vou dar a volta por cima, tropa. Tô com Deus e tá tranquilão”.
Pontos Principais:
- Rapper Oruam se entregou à polícia após ter prisão decretada.
- É acusado de abrigar foragido ligado ao Comando Vermelho.
- Foi indiciado por sete crimes, incluindo tráfico e associação.
- Casa do artista teria se tornado ponto de apoio a criminosos.
- Oruam é filho de Marcinho VP, preso em presídio federal.
O mandado de prisão foi emitido após uma operação da Polícia Civil na casa de Oruam, no bairro do Joá, Zona Oeste da capital, onde um adolescente foragido — apontado como segurança do traficante Doca, chefe do tráfico no Complexo da Penha — conseguiu escapar. Durante a ação, segundo os investigadores, houve confronto e tentativa de obstrução da ordem judicial. Pedras foram lançadas contra os agentes, e um policial acabou ferido.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) afirma que a residência de Oruam servia como ponto de encontro para criminosos e foragidos. A investigação destaca que o imóvel era usado para esconder indivíduos ligados ao Comando Vermelho, inclusive o adolescente alvo da operação. O histórico familiar do cantor, filho de Marcinho VP — um dos líderes da facção —, também foi citado por autoridades durante coletiva de imprensa.
O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, afirmou que o caso confirma a ligação direta de Oruam com o crime organizado. Segundo ele, o cantor não é apenas um artista com origem periférica, mas alguém atuante dentro da lógica faccionada. As acusações se baseiam em imagens, testemunhos e registros de vínculos com criminosos de alta periculosidade.
Além de tráfico de drogas e associação ao tráfico, Oruam foi indiciado por outros cinco crimes: resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão, caso ele seja condenado em todos os artigos. As autoridades sustentam que as provas coletadas são robustas e o tornaram alvo prioritário da investigação.
Entre os indícios apresentados pela polícia, estão fotografias de Oruam ao lado de Doca e de Rabicó, este último chefe do Comando Vermelho no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Esses registros reforçariam, segundo a DRE, os laços entre o cantor e líderes da facção. As imagens foram encontradas durante a análise de dispositivos apreendidos na residência do rapper.
Em vídeo divulgado antes de se apresentar à polícia, Oruam alegou inocência e afirmou que sofreu abuso de autoridade. Disse ainda que não é bandido e que sua renda vem exclusivamente da música. “Errei, mas quero mostrar que sou trabalhador”, afirmou. A defesa do artista ainda não se pronunciou oficialmente, mas deve tentar reverter a prisão em habeas corpus nos próximos dias.
Fonte: G1.


































