Hospital psiquiátrico: Justiça solta homem que matou a tia e entregou coração à filha; família teme por segurança
Lumar Costa da Silva foi liberado de um hospital psiquiátrico em Cuiabá após seis anos do crime que chocou o Brasil. Em 2019, ele assassinou a própria tia, Maria Zélia da Silva, arrancou seu coração e o entregou à filha da vítima, uma criança de sete anos. A decisão judicial que autorizou sua saída se baseia em laudos médicos que atestam estabilidade clínica, embora o acompanhamento psiquiátrico intensivo permaneça obrigatório em Campinas (SP).
Pontos Principais:
- Lumar matou a tia, arrancou o coração e o entregou à filha da vítima.
- Foi diagnosticado com transtorno bipolar e considerado inimputável.
- Justiça determinou tratamento ambulatorial sob supervisão em Campinas.
- Família da vítima expressa medo e revolta com decisão judicial.
O processo judicial não reconheceu capacidade penal a Lumar, diagnosticado com transtorno afetivo bipolar agravado pelo uso de LSD. Os laudos indicam que ele apresentou sinais claros de surtos psicóticos no momento do crime, com alucinações auditivas e comportamento impulsivo. Na época, afirmou ouvir vozes do “universo” que o ordenaram a matar. Seu comportamento violento se estendeu até mesmo durante transferências prisionais, quando tentou agredir outro detento.

Agora, o monitoramento será feito por uma equipe médica do CAPS, e ele estará sujeito a medidas como proibição de consumo de álcool e drogas, não podendo sair de Campinas sem autorização judicial. O juiz também determinou a realização de uma nova perícia psiquiátrica após um ano. O acompanhamento deve incluir supervisão de um responsável legal e psiquiatras, com proibição de frequentar determinados locais.
A família da vítima, especialmente a filha que recebeu o coração da mãe em uma sacola, reagiu com revolta. Patrícia Cosmo disse viver um novo terror com a liberdade do assassino. O medo de retaliação e a insegurança se tornaram parte da rotina da família desde a notificação da decisão judicial. Para ela, o sistema falhou ao não comunicar previamente os envolvidos.
O crime ocorreu poucos dias após Lumar se mudar para Sorriso, no Mato Grosso, vindo de São Paulo, onde já havia tentado matar a mãe. Na casa da tia, iniciou uso intenso de entorpecentes, o que agravou seu quadro. Após comportamento inadequado, foi expulso e passou a morar sozinho. Dias depois, cometeu o homicídio. Sua fala fria em depoimentos, sem demonstrar arrependimento, foi registrada pela imprensa à época.
A trajetória clínica de Lumar inclui avaliações médicas contestadas pela Justiça, até que um terceiro laudo detalhado confirmou o diagnóstico. O documento aponta que transtornos psiquiátricos graves, combinados com uso de alucinógenos, aumentam significativamente o risco de atos violentos. O Ministério Público ainda pode recorrer da decisão, mas a família teme que o dano seja irreversível.
O caso levanta novas discussões sobre a segurança pública, a aplicação das medidas de inimputabilidade e os limites do sistema de saúde mental em crimes de extrema violência. A decisão de soltura judicial, embora respaldada por especialistas, reabre o trauma da família e impõe ao Estado a responsabilidade de garantir que o agressor não represente mais uma ameaça.


































