Acidentes de moto no Brasil: mortes, sequelas e o impacto financeiro para o SUS em regiões críticas

Setenta e um por cento dos municípios brasileiros têm mais mortes de trânsito do que por armas, sendo as motos as principais responsáveis. Jovens entre 20 e 39 anos são as maiores vítimas, e o SUS gasta milhões por mês com internações e reabilitação, segundo levantamento do Fantástico. Mesmo após acidentes, muitos continuam a trabalhar em motos. Autoridades e especialistas defendem campanhas educativas e respeito ao espaço compartilhado no trânsito como caminhos para reduzir essa epidemia silenciosa que afeta vidas e a economia do país.
Publicado por em Mobilidade dia

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A escalada dos acidentes de moto no Brasil traz à tona um problema crescente para os jovens e para o sistema público de saúde. Dados recentes revelam que, em 71% dos municípios, as mortes no trânsito já superam as provocadas por armas de fogo. O Fantástico exibiu neste domingo o retrato desse cenário que atinge especialmente a faixa etária de 20 a 39 anos.

Pontos Principais:

  • Acidentes de moto matam mais do que armas em 71% dos municípios brasileiros.
  • Maioria das vítimas são jovens entre 20 e 39 anos, que dependem da moto para trabalhar.
  • Custos de internações e reabilitação no SUS chegam a R$ 60 mil por mês por paciente.
  • Autoridades e especialistas defendem campanhas educativas e respeito no trânsito.

As internações de motociclistas custaram mais de R$ 257 milhões ao SUS apenas no ano passado. Em muitos casos, esses acidentes resultam em sequelas graves, que desestruturam famílias e interrompem trajetórias de trabalho. A maior parte das vítimas estava em motos, uma escolha comum para quem busca se locomover e trabalhar de forma rápida e econômica.

Um alerta que transcende as estatísticas: a epidemia silenciosa dos acidentes de moto, que mata mais do que armas em 71% das cidades, escancara o drama de jovens trabalhadores que dependem da moto para viver e do SUS para se recuperar.
Um alerta que transcende as estatísticas: a epidemia silenciosa dos acidentes de moto, que mata mais do que armas em 71% das cidades, escancara o drama de jovens trabalhadores que dependem da moto para viver e do SUS para se recuperar.

A dependência da motocicleta como fonte de sustento para milhares de pessoas expõe um desafio que vai além da saúde pública. Mesmo após acidentes, muitos trabalhadores relatam que retornam ao serviço rapidamente, pois não têm outra opção de renda. As histórias se repetem em diversas regiões, de Salvador a São Paulo.

Impacto na vida dos trabalhadores

A rotina de quem depende de uma moto para trabalhar sofre um golpe profundo quando acontece um acidente. Os relatos colhidos mostram que, mesmo depois de sofrer lesões graves, motociclistas seguem em busca de sustento. Eles sabem que o risco permanece, mas afirmam que precisam continuar nas ruas para sobreviver.

Em Salvador, o Hospital Ortopédico recebe semanalmente dezenas de vítimas de trânsito, metade delas motociclistas. Em São Paulo, mais de 40 mil pessoas foram internadas em hospitais públicos apenas neste ano. A morte de uma jovem de 22 anos após cair da garupa de um mototáxi de aplicativo reforça a dimensão do problema.

A exposição constante ao perigo faz parte do cotidiano de quem faz entregas e transportes rápidos. Quando ocorre um acidente, a recuperação pode demorar, e o custo humano e financeiro recai sobre famílias que dependem desse trabalho. O professor André Sugawara, do Hospital das Clínicas da USP, apontou que o tratamento de um único paciente pode custar até R$ 60 mil por mês.

Desafios para reduzir as mortes

Os números crescentes de acidentes com motos evidenciam a necessidade de medidas que vão além do cuidado hospitalar. O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Antônio Meira Júnior, destaca a importância de campanhas educativas e de um trânsito mais seguro para todos.

Ele observa que, muitas vezes, o mesmo cidadão que pilota uma moto também dirige um carro ou caminha pelas ruas. Essa mudança de postura, segundo ele, pode ajudar a reduzir as estatísticas e evitar novas tragédias. A consciência de que o trânsito é um espaço compartilhado surge como ponto central para enfrentar o problema.

Gilberto Almeida, do Sindimotos-SP, também aponta para a necessidade de motoristas e motociclistas respeitarem as normas e entenderem que a via é um espaço para todos. Ele reforça que o trânsito é formado por pessoas que precisam colaborar para garantir a segurança de quem depende de duas rodas para trabalhar.

Resposta das autoridades e alternativas

O Ministério da Saúde informou que apoia ações que priorizem a segurança viária e a sinalização das rodovias. Segundo o órgão, essas iniciativas são fundamentais para prevenir acidentes e reduzir os impactos sobre o SUS e sobre as famílias atingidas.

A discussão sobre as soluções para o problema inclui o planejamento urbano e a educação no trânsito. Autoridades e especialistas ressaltam que é preciso equilibrar o direito ao trabalho com a preservação da vida. Para muitos, isso passa por melhorar a infraestrutura e por ampliar o diálogo entre governo, sindicatos e sociedade.

O tema chama atenção para a complexidade dos desafios que envolvem o transporte em motocicletas no Brasil. De um lado, está a necessidade de garantir o sustento de quem trabalha sobre duas rodas. De outro, a urgência de políticas que impeçam que acidentes se tornem parte rotineira do trânsito brasileiro.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.