Wakanda da vida real: como a Akon City passou de promessa brilhante para um sonho distante
Akon City, o projeto idealizado pelo cantor e empresário senegalês-americano Akon, foi anunciado em 2018 como uma cidade futurista e sustentável no Senegal. Inspirada em Wakanda, do filme Pantera Negra, a proposta visava construir uma metrópole tecnológica na vila costeira de Mbodiène, a cerca de 100 km ao sul de Dakar. Com um investimento estimado em US$ 6 bilhões, a cidade prometia infraestrutura moderna, incluindo hospitais, universidades, centros comerciais, hotéis de luxo e uma usina solar de 120 megawatts, utilizando a criptomoeda Akoin como base da economia.
Pontos Principais:
- Projeto de Akon no Senegal enfrenta atrasos significativos desde 2018.
- Apenas o “Welcome Center” foi parcialmente construído até 2025.
- Governo senegalês ameaça retomar terras devido à falta de progresso.
- Criptomoeda Akoin desvalorizada e problemas de financiamento comprometem o projeto.
Desde o anúncio, o projeto atraiu atenção internacional, sendo visto como uma oportunidade de desenvolvimento econômico e social para a região. No entanto, até 2025, os avanços concretos são mínimos. Apenas o “Welcome Center” foi parcialmente construído, e o restante do terreno permanece inalterado, sendo utilizado principalmente para pastagem de gado. Fatores como a pandemia de COVID-19, dificuldades de financiamento e desafios de gestão contribuíram para os atrasos.

O governo senegalês, por meio da Sapco (Sociedade de Planejamento e Promoção das Zonas Costeiras e Turísticas do Senegal), emitiu um ultimato em 2024, exigindo o reinício das obras ou a devolução de 90% das terras concedidas para o projeto. Além disso, a criptomoeda Akoin sofreu uma desvalorização significativa desde seu lançamento. Apesar dos desafios, Akon continua comprometido com o projeto, reconhecendo que a construção de uma cidade é um empreendimento complexo que requer tempo e recursos substanciais.
Visão e planejamento
Akon City foi concebida como uma cidade inteligente, ecológica e energeticamente autossuficiente, com infraestrutura moderna, incluindo hospitais, universidades, centros comerciais, hotéis de luxo e uma usina solar de 120 megawatts. O projeto visava atrair turistas, investidores e membros da diáspora africana, promovendo o desenvolvimento econômico local.
O financiamento para o projeto foi anunciado com promessas de US$ 4 bilhões, lideradas pela empresa KE International e investidores africanos, como Julius Mwale. Essa injeção de recursos, segundo Akon, garantiria a construção completa da cidade em um período de 10 anos, incluindo todas as estruturas planejadas. O uso da criptomoeda Akoin foi um dos pilares do projeto, reforçando a ideia de uma economia independente.
O entusiasmo inicial, no entanto, foi confrontado por desafios logísticos e pela pandemia de COVID-19, que retardou a busca por investidores e a execução das etapas básicas de construção. Akon admitiu, em diversas entrevistas, que o projeto foi anunciado antes de contar com todos os recursos financeiros e parceiros necessários.
Avanço das obras
Até 2025, o progresso da construção de Akon City tem sido significativamente mais lento do que o previsto. Apenas o “Welcome Center” foi parcialmente construído, e o restante do projeto permanece em estágio inicial. O terreno, que deveria ser ocupado por estruturas modernas e sustentáveis, permanece em estado bruto e serve para pasto de gado. Essa estagnação aumentou as dúvidas sobre a viabilidade real do projeto e gerou reações cautelosas de quem vive na região.
O governo senegalês, por meio da Sapco, emitiu um ultimato em 2024, exigindo o reinício das obras ou a devolução de 90% das terras concedidas para o projeto. Além disso, a criptomoeda Akoin sofreu uma desvalorização significativa desde seu lançamento. Apesar dos desafios, Akon continua comprometido com o projeto, reconhecendo que a construção de uma cidade é um empreendimento complexo que requer tempo e recursos substanciais.
Enquanto isso, os moradores de Mbodiène aguardam com esperança, embora com ceticismo crescente, que o projeto avance e traga os benefícios prometidos para a região.
Financiamento e parcerias
O financiamento do projeto sempre foi nebuloso. Em 2020, a empresa americana KE International afirmou ter levantado US$ 4 bilhões de investidores liderados por Julius Mwale, empresário queniano envolvido em um projeto semelhante no Quênia, o Mwale Medical & Technology City, que também enfrenta dificuldades para sair do papel. Segundo vários ex-colaboradores do projeto em Dakar, essas promessas de financiamento para a Akon City nunca se concretizaram.
Akon admitiu que anunciou o projeto prematuramente, antes de garantir os recursos e parcerias necessárias. Além disso, a criptomoeda Akoin, planejada como moeda oficial da cidade, sofreu uma desvalorização significativa desde seu lançamento. O financiamento do projeto sempre foi nebuloso.
Enquanto isso, os moradores de Mbodiène aguardam com esperança, embora com ceticismo crescente, que o projeto avance e traga os benefícios prometidos para a região.
Reações locais
Os moradores de Mbodiène, vila costeira onde Akon City está sendo planejada, expressam sentimentos mistos em relação ao projeto. Enquanto alguns ainda mantêm esperança de que a cidade traga desenvolvimento e oportunidades, outros demonstram ceticismo diante da falta de progresso.
Marcel Diome, chefe da vila, afirmou que Akon cumpriu algumas promessas, como a construção de uma quadra de basquete, um centro juvenil e o cercamento do estádio de futebol local. No entanto, essas realizações são vistas como modestas em comparação com as ambições iniciais do projeto. The Guardian Nigeria +3 Le Monde.fr +3 Nilepost News +3
A falta de avanço nas obras principais e a ausência de comunicação clara sobre os próximos passos aumentam a incerteza entre os residentes. Muitos questionam se Akon City realmente se concretizará ou se permanecerá como uma ideia não realizada.
Desafios legais e administrativos
Akon City enfrenta críticas sobre a clareza do financiamento e as dificuldades para transformar o projeto em realidade. Nos últimos anos, o governo senegalês passou a pressionar a retomada das obras, inclusive ameaçando recuperar parte das terras cedidas para a construção. A Sapco, responsável pelo planejamento turístico do Senegal, emitiu um ultimato exigindo a retomada imediata das atividades ou a devolução de 90% das terras.
A lentidão no desenvolvimento afetou diretamente a comunidade de Mbodiène, que ainda aguarda o início das atividades prometidas. Enquanto o projeto segue em compasso de espera, o único espaço parcialmente finalizado é o “Welcome Center”, sem uso efetivo para a população. A criptomoeda Akoin, que seria o motor econômico da cidade, também sofreu uma desvalorização desde seu lançamento. pt.wikipedia.org
Muitos dos colaboradores do projeto em Dakar apontam que as promessas iniciais de investimento não se concretizaram. Há relatos de que o dinheiro prometido para a Akon City não foi repassado ou redirecionado para outras iniciativas, o que comprometeu a execução das primeiras fases do plano.
Perspectivas futuras
Apesar dos problemas, Akon insiste que o projeto segue vivo e em desenvolvimento, mas reconhece que os prazos foram superestimados. Em recentes declarações, afirmou que o trabalho continua, mas que pode levar até 15 anos para que a cidade esteja completa. Ele sustenta que a visão de Akon City permanece a mesma: um espaço para inovação, cultura e oportunidades para a população africana.
Essa perspectiva ainda é recebida com ceticismo por parte dos moradores locais e especialistas em desenvolvimento urbano. Enquanto a ideia inicial era transformar Mbodiène em um polo de turismo e negócios, a realidade atual é de incerteza. Não há definição de prazos concretos ou apresentação de novos planos de financiamento que garantam a retomada das construções.
O cenário em 2025 mostra que, apesar das ambições do projeto, Akon City permanece como um espaço de promessas e pouca atividade. O futuro dependerá de um novo alinhamento entre investidores, governo e a própria equipe de Akon para tirar o projeto do papel e entregar os benefícios esperados para a população.
Impacto na região
A ausência de progresso em Akon City tem implicações significativas para Mbodiène e arredores. A expectativa de desenvolvimento econômico, geração de empregos e melhoria na infraestrutura local permanece não atendida.
A falta de clareza sobre o futuro do projeto também afeta a confiança da comunidade em iniciativas semelhantes. A promessa de uma cidade futurista contrasta com a realidade de um terreno inalterado e sem atividades significativas.
Enquanto isso, outras propostas de desenvolvimento na região ganham força, buscando aproveitar o potencial turístico e econômico da costa senegalesa. Akon City, por sua vez, permanece como uma incógnita no cenário de planejamento urbano do país.
Mobilidade e transporte na proposta de Akon City
A mobilidade e os transportes dentro de Akon City foram idealizados como parte essencial para transformar a cidade em um centro moderno e sustentável. A proposta inicial previu um sistema integrado que priorizaria veículos elétricos e transportes públicos movidos a energias limpas, conectando os principais pontos da cidade com eficiência e baixo impacto ambiental. Essa abordagem seguiria a linha de cidades inteligentes, onde o fluxo de moradores e visitantes seria fluido e prático.
Akon City, segundo o projeto, contaria com avenidas amplas e sistemas de transporte coletivo, como ônibus e vans elétricas, que serviriam áreas residenciais, zonas comerciais e áreas turísticas. O objetivo era reduzir o uso de veículos a combustão, garantindo uma operação silenciosa e menos poluente. A locomoção também incluiria ciclovias bem estruturadas, incentivando o uso de bicicletas para curtas distâncias, além de calçadas largas para circulação segura de pedestres.
Apesar dessas previsões, até 2025, o sistema de transporte permanece apenas no papel. A ausência de obras significativas além do “Welcome Center” impossibilita a implementação de qualquer solução prática de mobilidade. Não há estradas pavimentadas, veículos elétricos ou transporte coletivo em operação, e o acesso à região continua dependendo de estradas de terra e pequenos veículos utilizados localmente.
O futuro do sistema de transporte de Akon City dependerá de um novo cronograma de construção e de investimentos que garantam a execução das promessas iniciais. A integração de tecnologias sustentáveis, como veículos elétricos e transporte coletivo eficiente, segue como um dos principais diferenciais do projeto, mas, até o momento, permanece apenas como parte do discurso de modernização e respeito ao meio ambiente.
Fonte: Wikipedia, Guardian, Lemonde e Nilepost.


































