Moto Honda CB 450 TR 1987 é encontrada quase 0 km após 34 anos guardada contra hiperinflação

Guardada por mais de três décadas numa garagem em São Paulo, uma Honda CB 450 TR 1987 foi encontrada com apenas 44 km rodados. Comprada via consórcio como forma de se proteger da hiperinflação da época, a moto permaneceu com a mesma família até 2021. O hodômetro zerado e a pintura original chamaram atenção do comerciante Reginaldo de Campinas, que a adquiriu após um amigo do segundo dono desistir de rodar com ela. A motocicleta está em pleno funcionamento, mas dificilmente será usada, pois sua conservação é o que garante seu alto valor atual.
Publicado por em Motos e Notícias dia

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Na segunda metade da década de 1980, a Honda CB 450 era o ápice da aspiração de muitos motociclistas brasileiros. Antes mesmo da abertura do mercado às importadas, ela simbolizava status, potência e modernidade. Em 1987, um modelo TR foi adquirido via consórcio na cidade de São Paulo, não como meio de transporte, mas como estratégia financeira em tempos de hiperinflação.

Pontos Principais:

  • Moto Honda CB 450 TR 1987 foi guardada por 34 anos e tem apenas 44 km rodados.
  • Veículo foi comprado via consórcio como forma de proteção contra a hiperinflação.
  • Modelo foi resgatado por comerciante especializado em veículos clássicos.
  • Legalização da placa amarela para padrão Mercosul exige documentação antiga.

Décadas depois, o modelo foi redescoberto quase intocado. Foram apenas 44 km rodados desde que saiu da loja, e a moto manteve os grafismos originais, o banco conservado e até a antiga placa amarela da época. O responsável por resgatar essa relíquia foi o comerciante de veículos clássicos Reginaldo Ricardo, conhecido como Reginaldo de Campinas.

Na São Paulo dos anos 1980, uma moto era mais que transporte: era uma reserva de valor. Foi assim que nasceu a ideia de comprar a Honda CB 450 TR via consórcio.
Na São Paulo dos anos 1980, uma moto era mais que transporte: era uma reserva de valor. Foi assim que nasceu a ideia de comprar a Honda CB 450 TR via consórcio.

Segundo ele, o primeiro dono terminou de pagar o consórcio sem jamais pilotar a CB 450 TR. Após seu falecimento, em 2003, a motocicleta permaneceu na mesma família até ser repassada a um amigo, que por sua vez logo a vendeu a Reginaldo. O segundo proprietário desistiu do uso por conta da dificuldade em legalizá-la e também por não querer rodar com uma peça tão preservada.

Mesmo após décadas parada, a moto está em condições de funcionamento. Bastaram uma limpeza no carburador e pequenos ajustes para que voltasse a funcionar. Segundo o comerciante, todos os sistemas estão operando normalmente, o que aumenta ainda mais seu valor de mercado como relíquia.

Sem jamais ter rodado, a moto ficou guardada por décadas com a mesma família. Após o falecimento do dono original, ela só foi redescoberta em 2021, intacta e com 44 km.
Sem jamais ter rodado, a moto ficou guardada por décadas com a mesma família. Após o falecimento do dono original, ela só foi redescoberta em 2021, intacta e com 44 km.

Reginaldo defende que o ideal é preservar a CB 450 TR como peça de decoração, evitando rodar com ela justamente para não reduzir sua originalidade. O painel praticamente zerado e o estado impecável a tornam um item de colecionador, mais do que um veículo utilitário.

A placa amarela que acompanha a moto, contudo, é hoje ilegal para uso nas ruas. O processo de substituição para o padrão Mercosul é burocrático e exige documentos antigos, como nota fiscal ou recibos da época da compra. Sem isso, a legalização torna-se um desafio demorado e incerto.

Hoje nas mãos de um colecionador, a CB 450 TR é símbolo de uma época. Apesar de funcionar, dificilmente verá as ruas novamente, para preservar seu valor histórico.
Hoje nas mãos de um colecionador, a CB 450 TR é símbolo de uma época. Apesar de funcionar, dificilmente verá as ruas novamente, para preservar seu valor histórico.

Mesmo com as dificuldades legais, o que mais impressiona é a ideia de que, para muitos brasileiros nos anos 1980, um bem durável como uma motocicleta podia ser visto como investimento contra a corrosão econômica. A CB 450 TR de 1987 é, portanto, um testemunho silencioso de uma época em que até as motos precisavam esperar pela estabilidade.

Fonte: Uol.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.