Air India: investigação revela que corte de combustível causou queda de avião com 260 pessoas

Botões de combustível do Boeing 787 foram desativados logo após a decolagem. Um piloto questionou o outro, que negou a ação. Acidente matou 260 pessoas na Índia, incluindo 29 no solo.
Publicado por em Mundo dia

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O relatório preliminar sobre o acidente aéreo da Air India ocorrido em 12 de junho apontou que os dois botões de fornecimento de combustível do Boeing 787 foram manualmente colocados na posição de corte apenas três segundos após a decolagem. O sistema, projetado com proteção contra toques acidentais, exige dois movimentos deliberados: puxar para trás e levantar o botão antes de girá-lo. O corte aconteceu 29 segundos antes do impacto, tempo insuficiente para estabilizar a aeronave, que caiu sobre um prédio residencial.

Pontos Principais:

  • Botões de combustível foram desligados 3 segundos após a decolagem.
  • Um dos pilotos negou ter feito a ação, segundo a caixa-preta.
  • Relatório não aponta falha mecânica nem problemas no combustível.
  • 260 pessoas morreram, incluindo 29 que estavam em solo.
  • A única sobrevivente era passageira com dupla nacionalidade.

Entre os 242 ocupantes do voo com destino a Londres, apenas um sobreviveu. A tragédia também atingiu o alojamento de uma faculdade de medicina, onde outras 29 pessoas morreram. A queda ocorreu pouco após a decolagem em Ahmedabad, no oeste da Índia, e os gravadores de voz e dados foram interrompidos exatamente no momento do impacto. A caixa-preta revelou que um dos pilotos questionou o colega sobre o corte de combustível. O outro respondeu que não havia feito isso, levantando suspeitas de ação humana proposital ou erro técnico grave.

Apesar da ação ter sido rápida, os motores não recuperaram potência a tempo. O piloto chegou a declarar emergência antes da queda definitiva.
Apesar da ação ter sido rápida, os motores não recuperaram potência a tempo. O piloto chegou a declarar emergência antes da queda definitiva.

Os registros de voo indicam que o botão de combustível do motor 1 foi religado sete segundos após o corte, e o do motor 2 quatro segundos depois. Uma turbina auxiliar (RAT) chegou a ser acionada automaticamente, mas o avião já perdia potência. Às 13h39, um dos pilotos declarou emergência com o chamado “Mayday”, segundos antes de os sistemas da cabine pararem de transmitir qualquer sinal. O impacto ocorreu logo depois, matando quase todos a bordo e no solo.

O especialista americano John Cox, com vasta experiência em segurança de voo, afirmou que é tecnicamente impossível acionar os botões de corte de combustível por acidente. A proteção física dos dispositivos elimina a hipótese de contato involuntário. Isso redireciona o foco da investigação para possíveis falhas humanas ou intenção deliberada. O relatório, no entanto, ainda não apresenta conclusões definitivas e não atribui responsabilidade direta a nenhum dos tripulantes.

Os flaps, componentes fundamentais para a sustentação da aeronave, estavam corretamente posicionados para a decolagem, segundo análise dos destroços. Com isso, a hipótese de falha mecânica nessa parte da estrutura foi descartada. Também foram feitos testes no combustível, que confirmou estar em conformidade com os padrões exigidos, eliminando suspeitas de adulteração ou contaminação. A ausência de recomendação direta à Boeing reforça que o foco segue na atuação da tripulação.

A Air India conta com 33 aeronaves do modelo Dreamliner em sua frota. Após o acidente, o governo indiano ordenou a inspeção de todos os modelos do mesmo tipo. O voo levava 169 passageiros indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. O único sobrevivente era cidadão indiano com passaporte britânico, e escapou por uma saída de emergência. Até o momento, a empresa aérea não comentou o conteúdo do relatório divulgado nesta sexta-feira.

As autoridades ainda não têm previsão para a publicação do relatório final. Enquanto isso, a investigação se concentra nos protocolos internos da companhia e na reconstrução do comportamento da tripulação. A queda, ocorrida em pleno horário de almoço, causou forte comoção no país e expôs fragilidades em situações críticas logo após a decolagem. A cauda do avião ficou presa na estrutura do prédio atingido, uma imagem que se tornou símbolo da tragédia.

Fonte: G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.