Bonita Norris: Everest quase tirou sua vida após conquista histórica
A história de Bonita Norris, britânica que entrou para os livros ao se tornar a mulher mais jovem do Reino Unido a chegar ao topo do Everest, aos 22 anos, é marcada por superação e quase tragédia. Após alcançar os 8.849 metros do monte mais alto do mundo em 2010, ela enfrentou um dos resgates mais arriscados já registrados na montanha. O que era para ser uma descida comemorativa se tornou uma luta pela vida.
Pontos Principais:
- Bonita Norris foi resgatada congelada após escalar o Everest aos 22 anos.
- Sofreu paralisia temporária e quase morreu na zona da morte da montanha.
- Recebeu injeção emergencial de esteroide aplicada a -20°C por um médico.
- Revelou o pacto tácito entre alpinistas de não resgatar corpos para evitar mais mortes.
Na chamada “zona da morte”, a jovem sofreu um acidente que lhe causou paralisia temporária nas pernas e acelerou um quadro grave de congelamento. Incapaz de seguir sozinha, precisou ser carregada por sherpas durante quase dois dias, enquanto enfrentava temperaturas de até -20°C e risco de morte iminente. A aplicação emergencial de uma injeção de dexametasona por um médico foi decisiva para sua recuperação inicial.

Anos depois, Bonita relembra o drama com lucidez e ressalta os limites do montanhismo extremo. Ela também compartilhou um dos códigos mais sombrios do Everest: a regra não escrita de não resgatar corpos para evitar que mais vidas sejam perdidas. Seu testemunho revela o custo humano envolvido na busca pelo topo do mundo.
A escalada ao topo e o início do drama
Em maio de 2010, Bonita Norris realizou o sonho de alcançar o cume do Everest, feito que exigiu anos de preparação e dedicação. Mas o momento de glória durou pouco. Durante a descida, em uma área a mais de 7.500 metros de altitude, a jovem escorregou e sofreu uma lesão cervical. O acidente causou paralisia nas pernas e um rápido congelamento dos membros inferiores.
Em poucas horas, Bonita já não sentia os dedos dos pés. A gravidade do quadro foi comunicada por rádio por seu sherpa, Lhakpa, que alertou sobre a impossibilidade de ela seguir sozinha. O trecho da montanha, conhecido como “zona da morte”, tem baixos níveis de oxigênio e já foi responsável por centenas de mortes. Resgates são raros e quase sempre inviáveis.
A equipe de apoio decidiu agir. Kenton Cool, experiente alpinista que havia descido pouco antes, voltou a subir acompanhado do médico Greg Attard. Eles encontraram Bonita semiconsciente e com sinais avançados de hipotermia. O cenário era extremo: noite avançada, vento cortante, neve e risco de vida para todos os envolvidos.
Mesmo em condições adversas, a equipe conseguiu estabilizar Bonita com a aplicação de esteroide, que possibilitou algum movimento. Ainda assim, seria necessário carregá-la montanha abaixo, enfrentando o trecho mais traiçoeiro do Everest.
O resgate em meio ao frio extremo
A operação de resgate durou 48 horas. Bonita foi amarrada com cordas e arrastada montanha abaixo por sherpas. Em determinado momento, perderam o contato por rádio com a base por cerca de cinco horas, aumentando a tensão. O trecho era próximo à fronteira entre Tibete e China, uma área onde qualquer erro seria fatal.
“Foi uma das situações mais angustiantes que já vivi”, relatou um dos alpinistas envolvidos.
O grupo teve que improvisar ao máximo para garantir que Bonita não entrasse em colapso completo. Após o efeito da injeção de emergência, ela conseguiu algum controle motor e foi apoiada por Kenton e os demais membros da equipe para continuar a descida. A temperatura, os ventos e a altitude dificultavam todos os movimentos.
- Aplicação de esteroide salvou a vida de Bonita.
- Foram 48 horas de resgate com risco extremo.
- Temperaturas negativas e zona da morte desafiaram os limites da equipe.
- Sherpas demonstraram habilidade e coragem essenciais.
A jovem só conseguiu descansar com alguma segurança ao chegar a uma barraca em área mais baixa, onde foi reavaliada. Apesar do trauma, ela ainda estava viva — uma raridade em situações como essa.
O código tácito dos montanhistas
Além da superação física, Bonita compartilhou anos depois uma das verdades mais duras do montanhismo: a existência de um código tácito entre alpinistas que escalam em altitude extrema. Ela confirmou que é comum ver cadáveres ao longo do caminho e que muitas vezes não há como trazê-los de volta.
Montanhismo e a ética do risco
Segundo Bonita, tentar resgatar corpos representa um risco enorme para as equipes, que já estão sob estresse físico extremo. Por isso, muitos são deixados onde caíram — o que também serve como alerta visual para outros alpinistas. Ela relata que viu vários corpos congelados em diferentes montanhas, não apenas no Everest.
O mais famoso deles é o “Botas Verdes”, que se tornou ponto de referência em determinada trilha. Apesar dos esforços do governo nepalês, mais de 200 corpos ainda permanecem na montanha, lembrando a todos que cada passo é uma decisão de vida ou morte.
Bonita destaca que essa realidade muda a perspectiva dos alpinistas. A prioridade nunca deve ser apenas o cume, mas voltar para casa. Para ela, a experiência, embora traumática, ensinou o verdadeiro valor da vida e a importância de saber os próprios limites.
Vida após o Everest e o futuro de Bonita
Após a recuperação, Bonita Norris não abandonou o montanhismo. Continuou a escalar e passou a compartilhar sua história em palestras e entrevistas. Sua experiência a transformou em uma voz respeitada entre os alpinistas, especialmente por seu discurso sobre responsabilidade, preparação e limites pessoais.
Ela revela que antes do Everest, havia começado com escaladas pequenas, como no Monte Snowdon, no norte do País de Gales. Em apenas dois anos, passou do nível amador para escalar a montanha mais perigosa do mundo. Hoje, compartilha a importância de não romantizar o Everest — a montanha exige respeito.
Apesar da fama que conquistou, Bonita afirma que não busca repetir a experiência. A escalada até o topo foi o ápice de um sonho, mas o verdadeiro aprendizado veio na descida, onde percebeu que o mais importante é voltar viva.
Seu relato é um lembrete poderoso para os aventureiros e também para o público que consome essas histórias com fascínio. O Everest é um marco de conquista, mas também um cemitério silencioso a quase 9 mil metros de altitude.
Fonte: Instagram, Wikipedia e Aventurasnahistoria.


































