Brasileira é presa sem mandado nos EUA após blitz e caso expõe falha grave no sistema migratório
Caroline Dias Gonçalves
Pontos Principais:
- Caroline Dias foi presa pelo ICE após abordagem de trânsito sem mandado judicial.
- A jovem mora nos EUA desde os 7 anos, é bolsista e não possui antecedentes.
- O caso gerou mobilização com arrecadação de fundos e abaixo-assinado público.
- A detenção ocorre em meio a aumento de prisões migratórias sob Trump.
- Polícia do Colorado pode ter violado protocolos ao colaborar com o ICE.
Segundo relatos, Caroline havia sido parada por estar supostamente dirigindo muito próxima de um caminhão. Na ocasião, o policial a liberou com um simples aviso. Porém, pouco depois, foi novamente abordada, dessa vez por agentes do ICE, que realizaram a prisão. O advogado da estudante afirma que nenhuma ordem judicial foi emitida e que a detenção, nessas condições, pode ser considerada inconstitucional pelas leis americanas.
O caso chamou atenção por ocorrer no contexto do endurecimento das políticas migratórias dos EUA durante o segundo mandato de Donald Trump. Desde o início de junho, o número de imigrantes detidos subiu para cerca de 51 mil, recorde desde 2019. Embora as autoridades afirmem que as ações são voltadas a criminosos, muitos dos detidos, como Caroline, não têm antecedentes nem envolvimento com ilícitos.
A família da jovem, que entrou legalmente no país com visto de turista e aguarda resposta de um pedido de asilo protocolado anos atrás, diz estar em choque. Amigos próximos, como Megan Clark, relataram o impacto emocional da prisão. Megan foi uma das últimas pessoas com quem Caroline falou antes de ser levada e também uma das organizadoras de campanhas de arrecadação para custear a defesa da brasileira.
Caroline divide cela com outras 17 mulheres, muitas das quais falam apenas espanhol, o que dificulta a comunicação. A estudante relatou desconforto com a alimentação e o ambiente, e mantém contato com os pais apenas por telefone, mediante envio de créditos pela família. O isolamento geográfico também dificulta a atuação da defesa, uma vez que ela está detida longe de sua cidade e universidade.
A organização TheDream.US, que concedeu a bolsa de estudos à jovem, manifestou apoio público e lançou um abaixo-assinado pedindo sua liberdade, que já ultrapassa 1,8 mil assinaturas. A ONG destacou o risco de criminalização de estudantes e o impacto negativo em programas que promovem acesso à educação para imigrantes.
O consulado brasileiro em Los Angeles não havia sido acionado pela família até a publicação da reportagem, mas, após contato da imprensa, afirmou estar buscando informações junto às autoridades americanas. A possível colaboração indevida entre a polícia local e o ICE está sob investigação no Colorado, levantando questionamentos sobre o cumprimento das normas legais de conduta por parte das autoridades.
Fonte: Metropoles e Bbc.


































