China vai proibir maçanetas retráteis de carros elétricos após acidente
Pontos Principais:
- China proíbe maçanetas totalmente retráteis e elétricas em carros de passeio a partir de 1º de janeiro de 2027.
- Decisão ocorre após acidentes em que portas não abriram por falha elétrica, dificultando resgates e causando mortes.
- Nova norma exige liberação mecânica interna e externa, com ao menos uma maçaneta manual sempre acessível.
- Medida força fabricantes a rever design e pode impactar projetos globais devido ao peso do mercado chinês.
A China decidiu proibir maçanetas totalmente retráteis e elétricas a partir de 1º de janeiro de 2027, um recado claro ao design que virou moda nos carros elétricos. A proposta, colocada em consulta pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, nasce de acidentes reais, com gente presa dentro do carro porque a porta não abriu quando a energia acabou.
Na prática, o problema aparece no pior momento. Bateu forte, houve incêndio ou a bateria foi desligada, a maçaneta que depende só de motor elétrico vira enfeite. Reguladores chineses reuniram relatos de resgates atrasados e vítimas que não conseguiram sair sozinhas. Em testes citados no documento, esse tipo de sistema liberou a porta em cerca de 67% das colisões laterais. Nos modelos com acionamento mecânico, o índice sobe para 98%. Fora do laboratório, essa diferença pode ser a linha entre escapar ou não.
“O problema das maçanetas totalmente retráteis não é só do lado de fora, em alguns projetos a abertura interna também depende de energia elétrica, e em colisões ou panes isso pode deixar ocupantes presos dentro do carro, exatamente o risco que a China quer eliminar.”
A nova regra vai direto ao ponto. Carros de passeio de até 3,5 toneladas terão de oferecer liberação mecânica obrigatória das portas, por dentro e por fora. Pelo menos uma maçaneta interna precisa estar sempre visível e funcionar manualmente, mesmo com o carro apagado. É o tipo de exigência que parece óbvia, mas que foi deixada de lado em nome de um visual mais limpo.

O debate ganhou força depois de um acidente com um Xiaomi SU7 Ultra em Chengdu, no qual testemunhas disseram que as portas não abriram após a batida, atrasando o socorro, segundo o iG. Não foi um caso isolado. Reportagens locais também ligaram falhas semelhantes a outras mortes, reforçando a crítica à dependência total de sistemas eletrônicos para algo tão básico quanto sair do carro.
Para quem dirige, a conclusão é simples. Maçaneta bonita não vale mais do que a chance de escapar. O ganho aerodinâmico dessas soluções é pequeno no dia a dia e muitas vezes compensado pelo peso e pela complexidade do mecanismo. Com a China puxando essa mudança, fabricantes locais e estrangeiros já sabem que terão de redesenhar seus carros. Não por estilo, mas por segurança elementar.


































