Jeep Renegade vai sair de linha na Europa: SUV que nasceu rebelde morreu obedecendo às regras do mercado
O Jeep Renegade chegou ao fim de sua linha na Europa, e isso diz muito sobre como o mercado automobilístico mudou em apenas uma década. Lançado em 2014, o pequeno SUV era a tradução da ideia de liberdade em escala urbana: compacto, robusto e com um design que tentava trazer o espírito off-road para dentro das cidades europeias. Agora, onze anos depois, a fábrica de Melfi, na Itália, desligou as luzes da linha de montagem. O Renegade foi oficialmente aposentado.
Pontos Principais:
- O Jeep Renegade teve sua produção encerrada na Itália após 11 anos, marcando o fim de um ícone urbano da década de 2010.
- O modelo que nasceu como símbolo de liberdade se transformou em vítima da própria revolução que ajudou a criar: a febre dos SUVs.
- A Stellantis encerra o ciclo de combustão e empurra a Jeep para o futuro elétrico com o Avenger, menor e mais eficiente.
- No Brasil, o Renegade segue firme, uma anomalia nostálgica em um continente que ainda não se despediu do ronco do motor.
A história é curiosa porque o Renegade nunca foi apenas mais um SUV da Jeep. Ele representou o início da globalização da marca, o primeiro modelo produzido fora dos Estados Unidos e o mais vendido em vários países do continente. Quadrado, pequeno e com aquela cara de “mini Wrangler”, virou símbolo de status acessível entre jovens urbanos e famílias compactas. Mas, no fim, não resistiu ao mesmo fenômeno que criou sua fama: a saturação dos SUVs.

A Stellantis viu que o jogo virou. A nova aposta é o Jeep Avenger, menor, mais eficiente e totalmente adaptado à era dos carros eletrificados. Enquanto o Renegade envelhecia com seus motores a combustão e estilo robusto, o Avenger aparecia com versões híbridas e elétricas, surfando na onda verde e nos incentivos fiscais europeus. O novo queridinho da Jeep já passou de 200 mil pedidos no continente — e, como todo sucesso de marketing, parece feito sob medida para enterrar seu antecessor.

Só que o fim do Renegade não é total. No Brasil, o modelo segue vivo e forte, fabricado em Goiana (PE) e ainda com números expressivos de vendas. Por aqui, ele ocupa um espaço simbólico: é o SUV que colocou a Jeep na garagem da classe média, entre Creta, Tracker e T-Cross. Enquanto a Europa se prepara para abandonar de vez os motores a combustão, a América Latina continua abraçando o velho Renegade com motor flex e tração 4×4.

Essa diferença expõe uma realidade brutal da indústria: o futuro elétrico não chega no mesmo ritmo para todo mundo. A Stellantis sabe disso e planeja manter o Renegade ativo até pelo menos 2027, quando uma nova geração, baseada na plataforma STLA Small, deve aparecer. Até lá, o Avenger e o Renegade vão coexistir — um elétrico e europeu, o outro a combustão e latino. É a convivência entre o que o mercado sonha e o que ele realmente consegue pagar.

No fim, o Renegade se despede de onde nasceu, mas segue respirando onde ainda há espaço para carros de verdade — pesados, barulhentos e cheios de história. Talvez, no Brasil, ele encontre sua sobrevida como um símbolo nostálgico de uma era em que dirigir ainda significava sentir o chão vibrar. Porque, se depender da Europa, o futuro dos SUVs será tão silencioso quanto os motores elétricos que o substituíram.
Fonte: Stellantis, R7, Automaistv e UOL.


































