O “príncipe adormecido” que passou metade da vida em coma finalmente morreu aos 36 anos
Ele era um adolescente milionário, membro da realeza saudita, filho de um dos homens mais influentes do país, com o mundo todo à sua disposição. Aos 15 anos, Al-Waleed bin Khaled bin Talal Al Saud viajava entre Londres e Riad, estudava em uma escola militar britânica e levava uma vida de príncipe no sentido literal. Mas um acidente de carro mudou tudo. Desde aquele dia, ele nunca mais falou, se mexeu, nem abriu os olhos.
Pontos Principais:
- Al-Waleed bin Khaled sofreu um acidente aos 15 anos, em Londres.
- O príncipe ficou em coma por 18 anos, sem qualquer recuperação.
- Família recusou desligar os aparelhos, mantendo esperança de milagre.
- O pai, Khaled bin Talal, rejeitou recomendações médicas por quase duas décadas.
- O caso ganhou notoriedade no mundo árabe e foi amplamente compartilhado nas redes.
- A morte foi anunciada em 19 de julho, encerrando uma vigília de 18 anos.
- Funeral segue protocolos da Casa de Saud, com repercussão global.
Durante 18 anos, o corpo de Al-Waleed ficou suspenso entre a vida e a morte, mantido por máquinas em um hospital de Riad. A cama virou trono, e a vigília do pai virou ritual. O príncipe Khaled bin Talal se recusou a desligar os aparelhos, mesmo com décadas de recomendações médicas dizendo que a recuperação era impossível. Para ele, Deus faria um milagre. Para o resto do mundo, virou um caso extremo de fé, negação ou oba-oba místico.

O quarto do hospital virou quase um altar. Médicos do Reino Unido, Estados Unidos e Espanha foram chamados. Nenhum deu esperanças. Mesmo assim, de tempos em tempos, viralizava um vídeo mostrando o que seria um “movimento” do príncipe em coma — um dedo que mexia, um olho que tremia, uma expectativa de reviravolta. O caso ganhou manchetes e uma aura de mito moderno em um país onde a monarquia ainda se mistura com o divino.
Al-Waleed era sobrinho do bilionário Al-Waleed bin Talal, um dos homens mais ricos do planeta e figura central na expansão do capital saudita para o ocidente. Ele não era só mais um membro da família real: era símbolo de juventude, de futuro, de sangue azul. Quando o acidente aconteceu, o choque foi coletivo. Mas com o tempo, sua imagem congelou. Passou a ser conhecido como “o príncipe adormecido”. E permaneceu assim até este sábado (19), quando seu pai finalmente anunciou a morte.
O anúncio veio pelas redes sociais, num tom que misturava lamento e libertação. O milagre não veio. A ciência venceu. Ou talvez o tempo só tenha encerrado aquilo que a fé havia estendido demais. Nos bastidores da monarquia saudita, a morte encerra uma das histórias mais trágicas e desconfortáveis para uma elite acostumada a controlar tudo — menos o destino.
Agora, restam imagens de um jovem congelado no tempo, a devoção de um pai que desafiou o mundo médico, e um corpo que virou símbolo de fé, teimosia e mito contemporâneo no Golfo. O funeral seguirá os rituais da Casa de Saud, mas o que se enterra também é uma narrativa: a de que riqueza, poder e status podem segurar a morte na porta por quase duas décadas. Mas nunca para sempre.


































