Síria: Conflito interno leva Israel a atacar Damasco para proteger minoria aliada
Em meio ao agravamento dos conflitos sectários na Síria, o Exército de Israel lançou, nesta quarta-feira (16), uma série de ataques contra instalações militares e governamentais em Damasco. Entre os alvos atingidos estavam o Ministério da Defesa e os arredores do palácio presidencial, no que Tel Aviv classificou como uma operação de proteção à minoria drusa, envolvida em choques armados com forças do governo sírio.
Pontos Principais:
- Israel ataca o Ministério da Defesa e o entorno do palácio presidencial da Síria.
- Objetivo declarado é proteger a minoria drusa, alvo de ofensiva do governo sírio.
- Conflitos sectários em Sweida já deixaram mais de 300 mortos desde domingo.
- União Europeia, EUA e países árabes reagem com preocupação ou condenação.
- Líder druso anuncia novo cessar-fogo com Damasco, mas trégua permanece frágil.
A ofensiva representa uma ampliação da atuação militar israelense, que até então se concentrava na Faixa de Gaza e em pontos estratégicos das Colinas de Golã. Segundo o governo de Israel, mais de 160 alvos foram atingidos desde o início das ações, na segunda-feira. Um dos bombardeios mais simbólicos foi transmitido ao vivo pela TV síria, quando a sede do Ministério da Defesa foi atingida durante uma entrada ao vivo de uma jornalista.
Os drusos, que vivem em regiões de Israel, Líbano e sul da Síria, têm sido alvos recorrentes de ataques dentro do território sírio. A atual crise se intensificou após a morte de mais de 300 pessoas, entre elas civis e combatentes, em quatro dias de enfrentamentos na cidade de Sweida. O estopim teria sido o sequestro de um comerciante druso, seguido de represálias contra beduínos, o que levou à intervenção de tropas do governo central.
Embora as autoridades sírias tenham anunciado a implantação de um cessar-fogo, os combates prosseguiram, resultando em novos bombardeios por parte de Israel. O governo sírio responsabilizou “grupos fora da lei” pelo rompimento da trégua e pediu que a população local permanecesse em casa. Moradores relataram falta de eletricidade e medo de sair às ruas em meio à presença de artilharia pesada.
A tensão diplomática ganhou novos contornos com o pronunciamento do ministro da Defesa de Israel, que compartilhou vídeos das ações e afirmou que “os golpes dolorosos começaram”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também interveio, pedindo que os drusos não cruzem a fronteira, citando riscos de morte e sequestro. Paralelamente, uma divisão militar estacionada em Gaza foi redirecionada para o norte, em alerta para uma possível retaliação.
O novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, ex-integrante de grupos jihadistas, tenta administrar o país sob promessa de pacificação e respeito às minorias. No entanto, episódios de violência como os atuais enfraquecem sua tentativa de legitimidade internacional. A União Europeia, Turquia e Emirados Árabes Unidos condenaram os ataques israelenses, enquanto os Estados Unidos se declararam preocupados e em contato com as partes envolvidas.
Com mais de 250 mortos apenas em Sweida, a situação humanitária na região se agrava. Fontes médicas confirmaram que civis foram feridos nos bombardeios em Damasco e que funcionários do governo buscaram abrigo nos porões dos edifícios atingidos. Os drusos, por sua vez, anunciaram um novo acordo de cessar-fogo com o governo sírio, mas o histórico de violações deixa o futuro da trégua incerto.


































