O influenciador Justin Demaree decidiu atravessar os Estados Unidos de Orlando a San Diego, em um trajeto de quase 3.900 quilômetros, confiando exclusivamente no modo de direção autônoma de seu Tesla Model Y. A proposta era testar os limites da tecnologia em uma jornada longa, sem que fosse necessário assumir o volante.
O plano seguia sem maiores incidentes até que, em alta velocidade, uma pequena rampa de metal apareceu na pista. O sistema de condução autônoma não reagiu, não freou nem desviou, e a colisão ocorreu a aproximadamente 120 km/h. O impacto foi forte o suficiente para levantar os quase 2 toneladas do veículo e danificar sua estrutura inferior.
As proteções do carro evitaram perfurações graves, mas não foram capazes de impedir danos às baterias. O problema agravou uma falha pré-existente no conjunto de recarga do Tesla de Justin, comprometendo o funcionamento do sistema. A solução exigiu a substituição integral do pacote de baterias, além de outros componentes danificados.
O custo total do reparo foi de US$ 22.275,82, cerca de R$ 118,5 mil considerando a cotação do dólar a R$ 5,32. Esse valor equivale a quase metade do preço de um Model Y novo nos Estados Unidos, comercializado a US$ 48.990, aproximadamente R$ 260 mil no Brasil.
A comparação torna o episódio ainda mais impactante: no mercado brasileiro, o valor gasto no reparo poderia ser convertido em carros zero quilômetro, como um Hyundai HB20 (R$ 94.590), um Fiat Pulse (R$ 99.990) ou um Jeep Renegade (R$ 118.290). Em outras palavras, o reparo custou o equivalente a um veículo completo em concessionária nacional.
Apesar do prejuízo, o proprietário não arcou com a totalidade da despesa. O pacote de baterias, avaliado em torno de US$ 17 mil, foi substituído dentro da garantia da Tesla, reduzindo a pressão financeira sobre o influenciador. Ainda assim, o episódio chama atenção para o alto custo de manutenção de veículos elétricos quando o problema envolve o conjunto de baterias.
Além do impacto financeiro, o caso expõe fragilidades da condução autônoma e reforça os desafios da Tesla em provar a confiabilidade de sua tecnologia. A ausência de reação diante de um obstáculo simples na estrada reabre o debate sobre até que ponto os sistemas estão prontos para substituir o motorista humano em situações imprevistas.
Fonte: G1.