Unesco aprova plano para proteger os trulli de Alberobello e frear turismo predatório
Alberobello parece uma vila saída de um conto surrealista italiano onde casas em formato de cone, feitas com pedras empilhadas à mão, desafiam o tempo e a lógica. Chamados de trulli, esses monumentos brancos de telhado cinza compõem uma paisagem que mais lembra uma colmeia habitável do que um destino turístico tradicional. Mas agora, mesmo esse visual encantador precisa de um plano internacional para sobreviver ao turismo em massa e à burocracia cultural.
Pontos Principais:
- Plano da Unesco visa preservar os trulli de Alberobello, no sul da Itália.
- Casas em formato de cone são patrimônio mundial desde 1996.
- Governo italiano quer impedir a turistificação e o abandono cultural.
- Comitê de gestão terá participação de autoridades e moradores locais.
- Objetivo é equilibrar conservação histórica com economia local.
Nesta terça-feira, a Unesco e o governo italiano decidiram que é hora de proteger esses trulli com algo mais sólido que suas próprias pedras. Um novo plano de gestão vai tentar impedir que Alberobello vire um cenário genérico de Instagram — e devolvê-la ao que ela é de verdade: uma anomalia arquitetônica milenar usada até hoje como moradia. Ou seja, um lugar real, com gente de verdade morando ali, e não só um playground para turistas alemães e influenciadores franceses.

O documento já foi enviado à sede da Unesco em Paris e define uma série de ações que vão desde conservação estrutural até a criação de um comitê diretor com autoridades locais e especialistas em patrimônio. A ideia é simples: proteger, valorizar e gerir os trulli de forma integrada, sustentável e participativa. Em outras palavras, tentar organizar uma cidade histórica sem transformá-la num shopping a céu aberto.
Alberobello já está na lista de Patrimônio Mundial desde 1996, mas a designação sozinha não segura a barra do turismo de massa nem a especulação imobiliária. O novo plano tenta resolver isso dando mais poder às comunidades locais, integrando políticas públicas e criando uma governança que leve em conta não só as pedras, mas também quem vive entre elas.
A proposta ainda inclui ações de promoção cultural e turística mais conscientes, porque, sejamos honestos, ninguém aguenta mais ver os mesmos roteiros de sempre sobre o “charme do sul da Itália”. A missão agora é equilibrar o hype com a preservação, e isso significa dar voz aos moradores, arquitetos locais e até aos pedreiros que ainda sabem empilhar pedras como seus bisavôs.
Em uma época em que até cidades fantasmas ganham filtros de realidade aumentada, os trulli de Alberobello resistem como um lembrete físico de que a beleza não precisa de likes para existir. Mas talvez precise, sim, de um bom plano de gestão e de um freio na turistificação que transforma tudo em cenário. A batalha entre preservação e performance está lançada — e Alberobello não quer virar só mais uma hashtag bonita no feed.
Fonte: Wikipedia, Terra e Unesco.


































