Anna Wintour, ‘Diabo Veste Prada’ da vida real, deixa chefia da Vogue após 37 anos
A porta do elevador se abre. Salto ecoando no chão de mármore. Um olhar atravessado por trás de óculos escuros e pronto: o ar da redação muda. Se alguém ainda tinha dúvidas de que Anna Wintour era, sim, a inspiração para Miranda Priestly, essa dúvida evaporou agora que ela deixou o cargo de editora-chefe da Vogue depois de 37 anos — três a mais do que o tempo de mercado de muita influenciadora que hoje vive de “reagir a looks”.
Pontos Principais:
- Anna Wintour deixa o cargo de editora-chefe da Vogue após 37 anos.
- Ela continuará com funções globais na Condé Nast e na Vogue mundial.
- Sua trajetória influenciou o livro e o filme “O Diabo Veste Prada”.
- Wintour moldou capas, estilos e eventos como o Met Gala com pulso firme.
Com um legado que inclui desde capas históricas com jeans na capa da Vogue até a popularização do tapete vermelho como evento global via Met Gala, Wintour passou de editora a entidade. E, diferente do que se vê nas demissões dramáticas de CEOs por e-mail, ela anunciou a saída pessoalmente, em reunião na manhã do dia 25 de junho. O timing? Impecável. O styling? Provavelmente também. A influência? Inquestionável.

Wintour, no entanto, não está exatamente pendurando os escarpins. Ela continua poderosa como diretora global de conteúdo da Condé Nast e ainda manda na Vogue mundialmente, além de supervisionar nomes como GQ, Vanity Fair e Architectural Digest. Saem as decisões do dia a dia da redação, ficam os bastidores, onde os verdadeiros generais da moda operam. A diferença é que agora, quem quiser questionar sua autoridade terá que enfrentar a Miranda original — sem direito a Andy Sachs por perto.
Seu impacto começou já na primeira capa da revista sob seu comando, em 1988. A modelo Michaela Bercu usava jeans e um suéter de luxo. O contraste virou manifesto. Anna dizia, sem palavras, que a alta moda podia andar com pés no chão — mesmo que de Louboutin. A partir dali, celebridades dividiram espaço com modelos, homens apareceram nas capas e a Vogue virou não apenas revista, mas referência estética da cultura pop.
Enquanto muita gente associa o Met Gala a memes e looks exagerados, quem comanda tudo por trás do evento mais fashion do planeta é ela. Anna decide quem entra, quem senta, quem respira. O seleto grupo de 450 convidados precisa ter mais que estilo: precisa ter relevância. Tecnologia, cinema, arte, esporte e redes sociais se encontram sob os olhos dela, que sabe melhor que ninguém quem está na moda — e quem está fora.
A fama de chefe exigente virou lenda e depois roteiro de filme. Lauren Weisberger, ex-assistente da própria Wintour, escreveu o best-seller “O Diabo Veste Prada”, adaptado para o cinema em 2006. Meryl Streep eternizou Miranda Priestly, mas a vida se encarregou de provar que nenhuma ficção faria jus à realidade. Anos depois, Anna e Anne Hathaway dividiram a primeira fila de um desfile em Nova York. Ambas de óculos escuros, claro. O mundo parou. A moda entendeu.
O cargo de editora-chefe será substituído por uma nova função mais genérica e ajustada ao vocabulário corporativo: chefe de conteúdo editorial da Vogue americana. Mas sejamos francos, ninguém espera que o sucessor tenha o mesmo corte de cabelo há 40 anos ou a mesma capacidade de transformar uma crítica sutil em pânico coletivo com uma única frase: “É só isso?”. Anna não saiu, apenas mudou de andar — o do topo.
Fonte: Flickr, Wikipedia, G1 e Correio24horas.


































