A China exportou 1,06 milhão de automóveis em junho, maior volume mensal já registrado pelo país, com avanço de 71,2% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Administração-Geral das Alfândegas chinesa.
O resultado consolida a China como maior exportadora mundial de veículos e amplia a pressão sobre mercados como a União Europeia, que adotou tarifas adicionais contra carros elétricos produzidos no país asiático.
Se mantiver o ritmo atual, a indústria chinesa poderá encerrar 2026 com mais de 10 milhões de veículos enviados ao exterior, diante de 7,1 milhões em 2025 e 4,9 milhões em 2023, volume que mais que dobrou em três anos.
As vendas de automóveis ajudaram as exportações chinesas a avançar 27% em junho, após crescimento de 19,4% em maio, enquanto as importações aumentaram 36%. No primeiro semestre, o superávit comercial chegou a US$ 576 bilhões, cerca de 505 bilhões de euros, apesar da queda de 4,7% na comparação anual.
A BYD vendeu 175 mil veículos fora da China em junho, alta anual de 95%, e as operações internacionais alcançaram 43% da produção da empresa. A fabricante também superou pela primeira vez US$ 100 bilhões em receitas anuais, aproximadamente US$ 10 bilhões acima da Tesla.
A Geely rompeu a marca de 100 mil exportações mensais pela primeira vez, com 102.874 veículos enviados para outros países, crescimento de 157% em um ano. A Chery alcançou 191.062 unidades, alta de 80%, e estabeleceu seu quarto recorde mensal consecutivo.
Wang Jun, vice-diretor do Gabinete Nacional de Estatísticas, relacionou a expansão dos veículos elétricos à transição mundial para uma economia de baixo carbono e ao aumento da procura pelos chamados “produtos verdes” chineses. No primeiro semestre, as exportações de baterias de lítio cresceram 37,6%, enquanto as vendas externas de turbinas eólicas avançaram 35,6%.
As exportações de terras raras seguiram o caminho contrário, com queda de 34% em junho e de 6,4% no semestre, após Pequim endurecer o controle sobre minerais usados pela indústria de alta tecnologia. A demanda por semicondutores elevou as importações chinesas para 53,7 bilhões de circuitos integrados em junho, alta de 6,8%, e o crescimento acumulado no ano chegou a 8,1%.
Segundo a Cnnportugal, a expansão internacional ocorre enquanto o mercado chinês perde força, afetado pela redução parcial dos incentivos aos elétricos e pela menor procura por modelos a combustão. Com mais carros disponíveis nas fábricas, marcas chinesas e estrangeiras passaram a direcionar a produção ao exterior, enquanto Pequim rejeita acusações de subsídios desleais e atribui a competitividade à tecnologia e à escala industrial.
“A China não colocou 1,06 milhão de carros em navios durante um único mês por acaso, esse volume nasceu de fábricas enormes, preços competitivos e marcas que agora querem ocupar cada espaço disponível no mercado mundial.”– Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo