A Fiat oficializou um dos planos mais ambiciosos de sua história no Brasil. A marca italiana, que completa meio século no país em 2026, confirmou que vai lançar pelo menos um modelo totalmente novo a cada ano até o fim da década. O anúncio foi feito pela Stellantis e reforça o peso do mercado brasileiro na estratégia global do grupo, que direcionou R$ 30 bilhões em investimentos apenas para o país.
A movimentação é estratégica. Líder de vendas há anos, a Fiat precisa renovar sua linha para manter a relevância diante da concorrência acirrada de marcas tradicionais e, sobretudo, dos fabricantes chineses que ganharam espaço rapidamente. A promessa é clara: oferecer produtos acessíveis, mas recheados de tecnologia embarcada, apostando em plataformas modulares e sistemas híbridos leves.
O primeiro passo será o Grande Panda, programado para 2026. O compacto chega com a missão de substituir de uma só vez Argo e Mobi, reposicionando a Fiat no segmento de entrada. Baseado na plataforma Smart Car, derivada da CMP usada por Citroën, o modelo terá versões com motor 1.0 Firefly aspirado e opções híbridas leves, além de um design adaptado ao gosto do consumidor brasileiro. A produção será em Betim (MG), fábrica que segue como coração industrial da marca.
Na sequência, em 2027, a Fiat colocará nas ruas um SUV de sete lugares inédito. Conhecido internamente como projeto F2U, ele nasce sobre a base do Citroën Aircross, mas com identidade própria. Voltado ao público familiar, terá dimensões próximas às do Jeep Compass e motor 1.0 turbo flex com sistema híbrido leve, entregando até 130 cv de potência e 20,4 kgfm de torque. O câmbio CVT de sete marchas complementa o conjunto.
Outro modelo já confirmado é a segunda geração do Fastback, um SUV cupê que seguirá a linha do Basalt em estilo e proporções. O veículo manterá o motor 1.0 turbo híbrido leve de 12V, mas com mais tecnologia e acabamento refinado, também produzido em Betim. O posicionamento esportivo e a vocação urbana devem ser reforçados para disputar mercado com SUVs compactos de apelo premium.
A renovação da Toro é outro ponto central do plano. A picape intermediária será desenvolvida sobre a plataforma STLA Medium, a mesma da próxima geração do Jeep Compass. Haverá a estreia de uma versão híbrida inédita, combinando motor 1.3 turbo a dois propulsores elétricos, com câmbio automatizado de dupla embreagem. A Toro poderá ser a primeira picape híbrida fabricada pela Stellantis no Brasil, ampliando a relevância do segmento de utilitários eletrificados.
Encerrando o ciclo, a terceira geração da Strada está prevista para o fim da década. A picape compacta, que já é campeã de vendas no país, migrará para a plataforma STLA Small e terá variantes com motorização híbrida leve. A tendência é de crescimento em dimensões, mantendo opções de cabine simples e dupla para não perder espaço no mercado que ajudou a consolidar.
O plano da Fiat é, portanto, reposicionar seu portfólio em todas as frentes: carros de entrada, SUVs familiares, modelos de apelo esportivo e picapes. Mais do que a renovação de produtos, trata-se de uma jogada de sobrevivência em um cenário de forte competição, com a promessa de entregar tecnologia acessível e volume de produção em larga escala.
Fonte: Estadao, AutoEsporte e Terra.