A Jaguar Land Rover atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente após ser alvo de um ataque cibernético no final de agosto. O incidente paralisou a produção global da montadora e trouxe à tona a fragilidade das cadeias industriais diante de ameaças digitais cada vez mais sofisticadas. Estimativas apontam que o prejuízo pode alcançar 3,5 bilhões de libras esterlinas, o equivalente a US$ 4,7 bilhões, um valor que coloca em risco o desempenho financeiro da empresa controlada pela indiana Tata Motors.
Na última terça-feira, a companhia anunciou que manterá suas fábricas paradas até pelo menos o dia 24 de setembro. O comunicado destacou que a investigação forense sobre a invasão ainda está em curso e que a retomada das operações será gradual e controlada, exigindo tempo e ajustes em diferentes estágios do processo produtivo. A decisão reforça o grau de incerteza que envolve o futuro imediato da montadora.
As unidades de Halewood e Solihull, responsáveis por boa parte da produção dos modelos Land Rover, Range Rover e Jaguar, estão entre as mais afetadas. Trabalhadores foram orientados a permanecer em casa ou dispensados temporariamente, enquanto fornecedores de pequeno e médio porte já começaram a sentir os impactos. Um deles chegou a demitir metade do quadro de funcionários, evidenciando os efeitos colaterais que se espalham por toda a cadeia automotiva.
O sindicato Unite, um dos mais influentes do Reino Unido, manifestou preocupação com a manutenção dos salários e pediu ao governo que auxilie financeiramente empresas ligadas à Jaguar Land Rover. A entidade avalia que a demora no restabelecimento da produção pode gerar uma onda de desemprego e comprometer o equilíbrio de centenas de fornecedores regionais.
O episódio não acontece em um vácuo. Além do ciberataque, a montadora enfrenta dificuldades comerciais devido à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa extra de 25% sobre veículos britânicos. Essa medida levou a empresa a suspender temporariamente as vendas no mercado americano, reduzindo pela metade o lucro do primeiro trimestre fiscal de 2026 e derrubando a receita em quase 10%.
Especialistas temem que, caso a paralisação se estenda até novembro, o prejuízo no balanço possa incluir não apenas a perda bilionária de receita, mas também um impacto líquido negativo de 250 milhões de libras esterlinas, cerca de US$ 340 milhões. A comparação com casos recentes de outras empresas britânicas, como a Marks & Spencer, que ficou sete semanas sem operar vendas online, mostra que o risco de um colapso mais prolongado não pode ser descartado.
No último ano, a Jaguar Land Rover registrou uma receita anual de 29 bilhões de libras, o que dá a dimensão da relevância da crise atual. A interrupção de suas operações, combinada com pressões geopolíticas e econômicas, cria um cenário de incerteza que afeta não apenas os trabalhadores da fábrica, mas todo o ecossistema ligado à produção de veículos de luxo no Reino Unido e em outros países onde a marca atua.
Fonte: Neofeed, Ft e Theguardian.