A volatilidade dos mercados financeiros no segundo mandato de Donald Trump tem sido acompanhada de perto por investidores e analistas, refletindo diretamente no patrimônio dos maiores bilionários do mundo. A reação do mercado às políticas do governo e às condições macroeconômicas tem resultado em perdas significativas para os principais nomes do setor de tecnologia e inovação.
Pontos Principais:
Entre os mais impactados está Elon Musk, cuja fortuna sofreu uma retração expressiva, acompanhando a desvalorização da Tesla. A fabricante de veículos elétricos perdeu valor de mercado em meio à queda de vendas na Europa e na China, onde consumidores têm demonstrado resistência ao posicionamento político do empresário. Além disso, a Starlink, um dos negócios mais promissores de Musk, enfrenta desafios com a possível perda de contratos governamentais.
Além de Musk, outros empresários viram suas fortunas encolherem nos últimos meses. Jeff Bezos, Sergey Brin, Mark Zuckerberg e Bernard Arnault estão entre os magnatas que experimentaram perdas expressivas. A instabilidade do mercado, combinada com incertezas políticas e mudanças regulatórias, tem redefinido o cenário global para grandes corporações e seus acionistas.
Desde a posse de Donald Trump, as ações das principais empresas de tecnologia têm sofrido forte volatilidade, resultando na redução de patrimônios individuais de alguns dos empresários mais ricos do mundo. A perda acumulada entre os cinco mais afetados chega a US$ 210 bilhões.
O impacto mais severo foi sobre Elon Musk, cuja fortuna encolheu US$ 145 bilhões. A Tesla, que já foi uma das empresas mais valorizadas do mercado, perdeu quase metade de seu valor em 2025, refletindo o enfraquecimento da demanda e a reação negativa dos investidores. A desvalorização também afetou a SpaceX e a Starlink, que enfrentam desafios operacionais e políticos.
Jeff Bezos viu US$ 31 bilhões serem reduzidos de seu patrimônio, reflexo da queda de 15% no valor das ações da Amazon. Sergey Brin, cofundador da Alphabet, perdeu US$ 23 bilhões após a empresa ser alvo de novas pressões regulatórias nos Estados Unidos. Já Mark Zuckerberg e Bernard Arnault registraram perdas de US$ 8 bilhões e US$ 5 bilhões, respectivamente, diante da oscilação das ações da Meta e da LVMH.
As políticas econômicas do governo Trump têm sido apontadas como um dos fatores que impulsionaram a recente turbulência nos mercados financeiros. A adoção de medidas protecionistas e a imposição de tarifas sobre importações geraram incerteza entre investidores, enquanto a perspectiva de uma recessão tem levado a revisões nas projeções de crescimento.
O envolvimento de Musk em temas políticos tem impactado diretamente a Tesla, que viu suas vendas despencarem na Europa. O mercado alemão, um dos principais para a fabricante de veículos elétricos, registrou uma retração de 70% nas vendas da companhia. Na China, segundo maior mercado da Tesla, os embarques caíram 49% no último mês.
As ações da Tesla também sofreram com a instabilidade do mercado acionário dos EUA. O índice Nasdaq recuou 4% em um único dia, impulsionado pelo temor de que as políticas tarifárias do governo possam desencadear uma desaceleração econômica mais ampla.
A crescente regulação do setor de tecnologia tem adicionado um novo fator de incerteza para grandes corporações. A Alphabet, por exemplo, enfrenta um processo do Departamento de Justiça dos EUA, que pode resultar na fragmentação da empresa para reduzir sua dominância no mercado de buscas.
A Amazon, por sua vez, segue lidando com um ambiente de negócios cada vez mais volátil. Mesmo após tentativas de reaproximação entre Bezos e Trump, as ações da companhia continuam em queda, demonstrando a cautela dos investidores em relação ao futuro da empresa.
A Meta, apesar de ter registrado ganhos nos primeiros meses do ano, perdeu parte desse avanço. O impacto foi sentido diretamente por Mark Zuckerberg, que viu sua fortuna ser reduzida em meio à volatilidade das ações da companhia.
A Tesla enfrenta um dos períodos mais desafiadores desde sua ascensão ao status de líder no setor de veículos elétricos. A forte queda no valor de mercado da companhia reflete a perda de confiança dos investidores e a retração das vendas. O preço das ações caiu de US$ 480 para US$ 222, reduzindo o valor de mercado da empresa em mais de US$ 700 bilhões.
Além disso, a Starlink, uma das apostas estratégicas de Musk, enfrenta obstáculos políticos e comerciais. O governo de Ontário anunciou a rescisão de contratos com a empresa, enquanto a Polônia e a Itália reavaliam a continuidade de suas parcerias. O posicionamento de Musk em relação à Ucrânia e à OTAN tem gerado receios entre autoridades europeias, levando ao redirecionamento de contratos para concorrentes.
A Eutelsat, empresa franco-britânica de telecomunicações, surge como uma alternativa viável à Starlink. Suas ações dispararam 390% após a recente reunião entre Trump e Zelenski, indicando um possível reposicionamento do mercado de telecomunicações por satélite na Europa.
O envolvimento de Elon Musk na administração Trump tem gerado repercussões em seus negócios. Nomeado para liderar o Departamento de Eficiência Governamental, ele tem se dedicado à redução de gastos públicos, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades na gestão de suas empresas.
A Tesla continua sendo alvo de boicotes e protestos em diversos países, refletindo o descontentamento de consumidores com o alinhamento político do empresário. As manifestações resultaram na destruição de veículos da marca e na redução da demanda em mercados estratégicos.
O X, rede social adquirida por Musk, também foi alvo de ataques cibernéticos. O empresário afirmou que os servidores envolvidos no ataque estavam localizados na Ucrânia, mas especialistas apontam que a real origem pode ter sido mascarada. O episódio adiciona mais um fator de incerteza para o futuro da plataforma.
Fonte: Wsj, Folha, Theguardian e InfoMoney.