Três minutos separaram a retirada dos funcionários do desabamento de parte da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante o vendaval de 22 de setembro de 2025, uma tempestade que interrompeu a produção, danificou equipamentos e obrigou a montadora japonesa a reorganizar sua operação brasileira enquanto preparava o lançamento do Yaris Cross.
A energia caiu às 13h28, a chuva atingiu a estrutura e a água invadiu a área onde eram produzidos os motores, mas os trabalhadores já haviam sido reunidos em uma sala segura, seguindo o protocolo de emergência da empresa, uma medida que se mostrou decisiva diante da rapidez com que o teto cedeu.

Naquela mesma noite, a direção brasileira se reuniu com a matriz no Japão para discutir como manter o fornecimento de motores, enquanto a fábrica original permanecia comprometida e centenas de equipamentos precisavam ser retirados, avaliados e transferidos, uma operação que envolveu funcionários, fornecedores, concessionárias e negociações para férias e suspensão temporária dos contratos de trabalho.
A saída encontrada foi montar uma operação provisória em um condomínio logístico a 11 quilômetros da fábrica de Sorocaba, com previsão de funcionamento até 2028, enquanto a Toyota reconstrói Porto Feliz, uma mudança que exigiu transportar 622 equipamentos e antecipar obras de infraestrutura, incluindo uma subestação de energia que ficou pronta em três meses, quando o planejamento inicial previa dez.

A produção começou a voltar quatro meses depois da tempestade, com o primeiro motor 1.5 destinado ao Yaris Cross saindo da linha em 26 de janeiro de 2026, resultado de uma reorganização industrial que permitiu recuperar gradualmente a capacidade de fabricação sem esperar pela conclusão das obras na unidade atingida.
Um ano após o desastre, a operação reúne 373 trabalhadores, acumula 42 mil motores produzidos e alcança aproximadamente 400 unidades por dia, volume equivalente à produtividade anterior, enquanto a Toyota prepara a retomada da fundição nacional do motor 1.5 utilizado no Yaris Cross e mantém temporariamente no Japão a fundição do 2.0 da linha Corolla.
A reconstrução também modifica os planos industriais da fabricante para os próximos anos, pois a nova estrutura receberá reforços e melhorias nos processos de produção, com a intenção de ampliar a fabricação de motores híbridos flex e aumentar a participação de fornecedores brasileiros, enquanto determinados motores destinados à exportação continuam chegando da Indonésia para montagem local.

A Toyota não revelou quanto está gastando para recuperar a unidade, mas afirmou que os recursos foram financiados pela operação brasileira e que o seguro cobriu os danos provocados pela tempestade, sem incluir os lucros cessantes, enquanto o projeto integra um ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões anunciado pela montadora para o Brasil até 2030.
O plano é concluir a reconstrução até 2028 e devolver à fábrica de Porto Feliz uma função ainda maior na produção de motores para o Brasil e outros mercados, transformando uma operação emergencial criada depois da destruição do prédio em uma reorganização permanente da indústria nacional da Toyota.
A Toyota recuperou a produção, mas ainda precisa concluir a reconstrução da unidade atingida pelo vendaval e ampliar a fabricação nacional de motores híbridos flex. Você acredita que a recuperação de Porto Feliz pode fortalecer a indústria automotiva brasileira?


