O BYD Dolphin Mini ainda nem terminou de conquistar espaço nas ruas brasileiras e já ganhou um irmão maior, mais potente e com tecnologia capaz de assumir parte da direção, uma combinação que pode mudar a escolha de quem procura um carro elétrico sem chegar aos preços do Dolphin tradicional.
A novidade se chama BYD Great Seagull e apareceu durante uma gravação na China, cercado por câmeras e equipamentos de filmagem, mostrando que a fabricante prepara um novo capítulo para sua família de carros elétricos compactos, mas sem aposentar o modelo que abriu caminho entre os consumidores que procuram um elétrico mais barato.
O plano é colocar o Great Seagull entre o Dolphin Mini e o Dolphin GS, dois carros que hoje deixam um espaço considerável na tabela brasileira, com o primeiro chegando a R$ 119.990 e o segundo partindo de R$ 149.990, uma diferença de R$ 30 mil que abre caminho para um hatch maior e mais equipado.

Quem conhece o Dolphin Mini sabe que seus 75 cv foram feitos para uma vida sem grandes pretensões esportivas, mas o novo irmão troca esse conjunto por um motor elétrico dianteiro de 129 cv, um aumento de 54 cv que promete fazer diferença nas acelerações e permite alcançar 150 km/h de velocidade máxima.
A bateria também acompanha essa mudança, com duas opções de lítio-ferro-fosfato produzidas pela FinDreams, uma de 30 kWh e outra de 39,2 kWh, suficientes para entregar entre 320 km e 420 km de autonomia no ciclo chinês CLTC, embora os números brasileiros do Inmetro devam ser menores.
Para quem pensa em usar o carro todos os dias, a diferença entre as duas baterias poderá significar menos paradas para recarregar, enquanto a potência adicional interessa principalmente a quem precisa sair de uma avenida movimentada, enfrentar subidas ou viajar com passageiros e bagagem.
Mas o Great Seagull não cresceu apenas debaixo do capô, porque seus 4,20 metros de comprimento representam 42,5 centímetros a mais que o Dolphin Mini, uma diferença grande o suficiente para aproximar o novo hatch das dimensões do Dolphin tradicional.

O entre-eixos chegou a 2,65 metros, ficando 15 centímetros maior que o do Dolphin Mini, enquanto a carroceria apresenta 1,81 metro de largura e 1,57 metro de altura, medidas que ajudam a explicar por que a BYD prefere manter os dois modelos em vez de simplesmente substituir o menor pelo maior.
A aparência também deixa clara a diferença entre os irmãos, com frente fechada, linhas mais marcadas na carroceria e uma nova tonalidade verde chamada Ink, cor que apareceu nas unidades fotografadas durante a produção de imagens do veículo.
Por dentro, a BYD resolveu mudar até aquilo que o motorista costuma encontrar logo atrás do volante, retirando o painel de instrumentos convencional das unidades de teste e concentrando as informações na grande central multimídia fixa.
O console central ficou mais alto e avançou até a região do volante de dois raios, formando uma área dianteira diferente daquela encontrada no Dolphin Mini e deixando claro que a fabricante não pretende vender apenas o mesmo carro com alguns centímetros extras.
A maior novidade tecnológica, entretanto, está sobre o teto, onde um sensor LiDAR denuncia a presença do sistema DiPilot 300, conjunto que permite ao veículo identificar o ambiente ao redor e executar funções de condução automatizada em ruas e rodovias.
O pacote inclui estacionamento automático e reconhecimento de semáforos, recursos que colocam o Great Seagull em uma posição diferente dentro da família de compactos elétricos, embora a presença dessas tecnologias não elimine a necessidade de atenção e supervisão do motorista.
Essa combinação de espaço, motor mais forte e assistência à direção ajuda a entender por que a BYD quer dois carros com nomes tão próximos, já que o Dolphin Mini continuará atendendo quem procura o acesso à linha elétrica, enquanto o Great Seagull buscará consumidores dispostos a pagar mais por tamanho e equipamentos.

Na China, o Seagull atual parte de 69.800 yuans, aproximadamente R$ 54 mil em conversão direta, mas o Great Seagull ocupará uma faixa superior, sem que a fabricante tenha apresentado um preço definitivo para o novo modelo no Brasil.
A chegada ao mercado brasileiro está nos planos da BYD, mas ainda falta descobrir quanto a empresa cobrará pelo hatch e quais versões serão oferecidas, especialmente porque a presença do LiDAR, o tamanho da bateria e os equipamentos poderão determinar a distância de preço para o Dolphin Mini.
O que já está claro é que a fabricante encontrou espaço para mais um elétrico entre seus próprios carros, com 129 cv, até 420 km de autonomia no ciclo chinês e dimensões próximas às de um hatch maior, deixando para o preço brasileiro a tarefa de mostrar até onde essa nova disputa poderá chegar.
Com informações do QuatroRodas.


