A Renault tem um SUV maior que o Kwid, com motor turbo de 100 cv, câmbio automático CVT e porta-malas de 405 litros, mas ainda não decidiu publicamente se vai vendê-lo no Brasil. Trata-se do Kiger, produzido na Índia e agora registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A novidade abre uma questão para o mercado brasileiro: haveria espaço para um utilitário esportivo abaixo do Kardian?
O Renault Kiger tem características que o colocariam nessa posição. Mede 3,99 metros de comprimento, apenas 31 centímetros a mais que o Kwid, mas oferece uma carroceria mais larga, posição de dirigir elevada e maior capacidade para bagagens. Seu porta-malas comporta 405 litros, contra 290 litros do hatch vendido no Brasil. São 115 litros adicionais em um veículo que continua relativamente compacto.
A diferença também aparece na mecânica. Enquanto o Kwid brasileiro utiliza motor 1.0 aspirado, o Kiger vendido na Índia oferece duas opções. A mais simples entrega 72 cv e 9,8 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas ou automatizado Easy-R. A outra utiliza motor 1.0 turbo de 100 cv e 16,3 kgfm, que pode trabalhar com transmissão automática CVT X-Tronic.
Essa variedade permitiria à Renault trabalhar com preços e equipamentos diferentes, caso decidisse trazer o modelo. A versão aspirada poderia atender compradores interessados em um SUV de entrada, enquanto a turbo teria desempenho superior no papel. Entretanto, não existem preços brasileiros, versões definidas ou confirmação de qual motorização seria utilizada no país.
Há outro detalhe importante: o Kiger não é simplesmente um Kwid com carroceria modificada. Embora os dois tenham origem na mesma família de plataformas, o SUV utiliza a arquitetura CMF-A+, desenvolvida para acomodar uma carroceria maior. A distância entre-eixos de 2,50 metros supera os 2,42 metros do hatch, diferença que permite outra distribuição do espaço interno.
Na atualização apresentada em agosto de 2025, a Renault também modificou equipamentos e segurança. O Kiger passou a oferecer seis airbags de série, controle eletrônico de estabilidade, controle de tração, assistente de partida em rampas e fixações Isofix em todas as versões. São equipamentos relevantes para um possível modelo de entrada, principalmente em uma categoria na qual preço e conteúdo costumam determinar a escolha do comprador.
Nas configurações mais equipadas, há central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, câmera com múltiplas visualizações, bancos dianteiros ventilados, faróis automáticos e sensores de chuva. O modelo também recebeu mudanças na dianteira, nos para-choques e no acabamento interno, além do novo logotipo da Renault.
A possível chegada ao Brasil, porém, levantaria uma questão que vai além do preço de compra. O Kiger compartilha parte de sua origem técnica com o Kwid, mas possui carroceria, componentes e conjuntos mecânicos próprios. Para o comprador brasileiro, seria importante conhecer a disponibilidade de peças, os custos das revisões e a cobertura da rede de assistência. Sem comercialização nacional confirmada, ainda não existem informações locais suficientes para avaliar esses pontos.
O registro no INPI protege o desenho do veículo, mas não representa homologação para venda nem compromisso de importação. Fabricantes frequentemente registram projetos em diferentes países sem necessariamente comercializá-los. Portanto, não há confirmação de lançamento, preço ou data para o Kiger no Brasil.
Se a Renault decidir avançar, terá um produto de dimensões intermediárias entre seus modelos de entrada e o Kardian. O principal desafio será definir quanto custaria esse SUV e o que ofereceria pelo valor cobrado. Afinal, ter um carro pronto e registrado é diferente de conseguir vendê-lo por um preço que justifique sua presença nas concessionárias brasileiras.
Com informações da Renault.