O mercado de carros usados no Brasil passou por um mês de março de 2025 com resultados expressivos, confirmando a consolidação do segmento de seminovos como uma das principais alternativas para o consumidor nacional. O aumento nas vendas reflete mudanças de comportamento e estratégias de compra adotadas por quem procura um veículo com menor desvalorização e entrega rápida.
Pontos Principais:
Com mais de 865 mil unidades negociadas entre automóveis e comerciais leves, os seminovos se destacaram não apenas em volume, mas também em desempenho econômico. Modelos com poucos anos de uso ganharam espaço entre consumidores que avaliam o custo-benefício em meio à escalada de preços dos veículos novos, além de apresentarem maior disponibilidade imediata nas concessionárias.
A estrutura do mercado passou a girar em torno de indicadores como margem de lucro, tempo médio de estoque e retorno sobre investimento (ROI), que influenciam diretamente nas decisões dos lojistas e revendedores. As marcas que melhor se adaptaram a esse novo cenário passaram a liderar os rankings internos das redes de distribuição.
O perfil do comprador brasileiro tem mostrado preferência por carros que aliam idade recente, boa condição de conservação e menor custo frente aos veículos zero quilômetro. Essa mudança de foco elevou o patamar de preço médio dos seminovos e alterou o planejamento das concessionárias, que passaram a investir mais em modelos com alto giro e margem satisfatória.
Março de 2025 registrou 865.746 veículos usados vendidos no Brasil, com forte concentração nas faixas de preço intermediárias. Os carros mais procurados são aqueles com manutenção previsível, baixo custo operacional e boa aceitação no mercado de revenda. Além disso, a busca por garantia e histórico de procedência têm sido fatores decisivos no momento da negociação.
Esse movimento tem estimulado a formalização do setor e gerado novos postos de trabalho, com redes de lojistas expandindo suas operações. A dinâmica do mercado também tem exigido maior controle logístico e inteligência de estoque, especialmente nas capitais e grandes centros urbanos.
O Caoa Chery Tiggo 5X se destacou como o veículo seminovo com melhor rentabilidade do Brasil no mês analisado. O modelo alcançou um preço médio de R$ 103.082, com margem bruta de 10,7% e tempo médio de estoque de 23 dias, sendo o SUV com maior giro no período.
O desempenho do Tiggo 5X consolidou sua posição no segmento, depois de já figurar entre os mais vendidos em fevereiro. A velocidade de negociação aliada à margem de lucro o colocou no topo das estratégias de diversas redes de revenda.
Esse resultado evidencia a importância dos SUVs compactos na composição do portfólio das lojas de seminovos, dado o equilíbrio entre valor percebido, espaço interno e custo de manutenção na faixa de 100 mil reais.
Dois modelos da Toyota se destacaram entre os seminovos mais rentáveis: o Yaris Hatch e o Corolla. O Yaris apresentou preço médio de R$ 87.494, margem de 11,3% e tempo médio de estoque de 30 dias. O modelo obteve retorno sobre investimento (ROI) entre 76% e 77%, destacando-se pelo equilíbrio entre liquidez e lucratividade.
Já o Toyota Corolla, terceiro colocado, teve preço médio de R$ 134.165, margem de 9,6% e ROI expressivo de 116%. Com tempo médio de estoque de 27 dias, o sedã continua como uma das opções mais valorizadas, mantendo desempenho sólido nas revendas.
A presença de dois modelos da marca no ranking evidencia a força da Toyota no mercado de usados. A reputação de durabilidade e aceitação do público faz desses carros ativos valiosos nas operações comerciais.
Fechando o grupo dos quatro modelos com melhor desempenho em março, o Toyota Corolla Cross confirmou a tendência de valorização dos SUVs. Com preço médio de R$ 143.284 e margem de 9,6%, o modelo manteve tempo médio de giro de 30 dias.
A configuração do Corolla Cross o posiciona entre os utilitários esportivos preferidos, com destaque para o uso urbano e familiar. O modelo representa uma alternativa ao sedã, com apelo visual e versatilidade, fatores que contribuem para a rotatividade nas lojas.
A presença de dois SUVs entre os quatro primeiros do ranking demonstra como o segmento se consolidou nas escolhas dos consumidores, influenciando também as decisões de compra dos lojistas na reposição de estoque.
O bom desempenho dos seminovos projeta uma continuidade na expansão desse mercado ao longo do ano. A alta nos preços dos carros novos, associada à maior exigência dos consumidores por economia e retorno, deve manter aquecida a busca por modelos com até três anos de uso.
O setor de seminovos movimenta diversos elos da cadeia automotiva, desde logística e marketing até serviços pós-venda. Além disso, representa uma fonte de receita relevante para concessionárias e lojistas independentes, muitas vezes superando a margem dos veículos novos.
Com a adaptação do mercado às novas exigências, espera-se que os indicadores como giro de estoque, ROI e margem continuem sendo os principais parâmetros para avaliar o desempenho de modelos e marcas no cenário nacional.