O motor V6 diesel da Ford Ranger pode sair de uma fábrica na Argentina, no Reino Unido ou na África do Sul, mas parte das decisões sobre sua evolução passa por uma equipe de engenheiros que trabalha em Camaçari, na Bahia, longe das linhas de montagem que abastecem alguns dos maiores mercados de picapes do mundo.
A responsabilidade brasileira vai muito além de adaptar um motor estrangeiro para rodar nas estradas do país, já que o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford atua em conjunto com equipes internacionais para modernizar componentes, atualizar sistemas eletrônicos e validar a durabilidade de um conjunto mecânico utilizado em condições muito diferentes, desde o trânsito das cidades até operações de mineração no interior da Austrália.
A história desse V6 começou antes da atual geração da Ranger, com uma família de motores originalmente desenvolvida para veículos premium e que passou por aplicações como a Ford F-150 nos Estados Unidos, até que a engenharia sul-americana assumiu a liderança de sua evolução para atender às exigências da nova picape e de outros mercados internacionais, preservando a base mecânica enquanto modificava o que era necessário para suas novas aplicações.
Na Ranger, o resultado aparece nos 250 cv de potência e nos 600 Nm de torque, equivalentes a aproximadamente 61,2 kgfm, números que ajudam a entender por que o motor é importante para quem procura uma picape capaz de enfrentar trabalho pesado sem exigir tanto esforço do motorista nas acelerações e retomadas, enquanto o refinamento, a entrega progressiva de força e o funcionamento silencioso estão entre as características destacadas pela equipe responsável pelo projeto.
O engenheiro-chefe de Powertrain e Eletrificação da Ford América do Sul, Paulo Oliveira, atribui parte dessa evolução ao trabalho de modernização e às baterias de testes conduzidas nos últimos anos, com atenção à resistência dos componentes e à confiabilidade do motor, uma responsabilidade que ganha dimensão quando se considera que a Ranger também atende clientes que utilizam seus veículos em operações profissionais longe dos centros urbanos.
A presença do V6 também acompanha um momento importante para a picape no Brasil, pois a Ranger alcançou 25,2% de participação nacional no segmento de picapes médias em julho de 2026, conquistando a liderança naquele mês, resultado que a Ford relaciona à aceitação do modelo e à procura pelas versões superiores, nas quais potência, capacidade de trabalho e refinamento mecânico pesam na escolha de quem compra.
A estrutura industrial que sustenta essa operação passa por três unidades estratégicas, localizadas em Pacheco, na Argentina, Dagenham, no Reino Unido, e Struandale, na África do Sul, responsáveis por conectar a fabricação do motor às linhas de montagem da Ranger e do SUV Everest, com presença em mercados como Europa, Austrália, Nova Zelândia, Sudeste Asiático e Oriente Médio, ampliando o alcance das decisões técnicas tomadas pelos engenheiros brasileiros.
O trabalho em Camaçari também envolve outras famílias de motores da Ford, incluindo o 1.5 a gasolina produzido no México e os conjuntos 2.0 e 2.3 fabricados nos Estados Unidos e na Europa, enquanto a equipe já desenvolve uma versão flex destinada à Ranger Híbrida Plug-in, prevista para 2027, mostrando que a participação brasileira continuará no projeto justamente quando a eletrificação passar a fazer parte da próxima etapa dessa história.
A Ford Ranger V6 reúne 250 cv e 600 Nm em um motor cuja evolução é liderada pela engenharia brasileira, enquanto Toyota Hilux e Chevrolet S10 disputam o mesmo público de picapes médias no país. Saber que esse trabalho sai de Camaçari muda sua maneira de olhar para a Ranger?
Com informações da Ford.
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