Grok 4 pode refletir visão política de Elon Musk após nova atualização, alertam especialistas
A atualização anunciada por Elon Musk para o Grok, chatbot da empresa xAI integrado à plataforma X, provocou preocupação entre especialistas em inteligência artificial. O bilionário afirmou que o Grok 4 será lançado logo após o dia 4 de julho, e prometeu “reescrever o corpus de conhecimento humano”, após o modelo ter emitido uma resposta com base em dados oficiais sobre violência política que contrariou suas crenças.
Pontos Principais:
- Elon Musk lançará o Grok 4 após o feriado de 4 de julho.
- Resposta sobre violência política gerou críticas do empresário.
- Especialistas temem que Musk molde a IA com sua visão política.
- Casos anteriores sugerem interferência ideológica no modelo.
- A integração do Grok à rede X amplia o alcance de suas respostas.
O episódio ocorreu após um usuário questionar o Grok sobre episódios de violência política desde 2016. O chatbot respondeu com base em fontes do Departamento de Segurança Interna dos EUA, apontando que a maioria desses casos veio da extrema direita. Musk reagiu dizendo que essa resposta era “objetivamente falsa” e que a IA estava apenas repetindo a imprensa tradicional. Em seguida, convocou usuários da rede a enviarem dados “politicamente incorretos, mas factualmente verdadeiros”.

A decisão de Musk de intervir diretamente na base de conhecimento do Grok gerou reações imediatas. Para David Evan Harris, pesquisador da Universidade de Berkeley e ex-integrante da equipe de IA responsável da Meta, o caso evidencia uma disputa duradoura sobre a neutralidade dos modelos de linguagem. Ele alerta que, se donos de plataformas puderem moldar os modelos conforme suas convicções, o risco de manipulação e desinformação se torna real e constante.
Casos anteriores já haviam despertado atenção. Em maio, o Grok respondeu aleatoriamente com alegações sobre genocídio branco na África do Sul, mesmo em perguntas sem relação com o tema. A xAI alegou que uma modificação não autorizada causou esse comportamento e que violava suas diretrizes. Contudo, críticos viram no episódio um sinal de como preferências pessoais poderiam estar sendo embutidas no sistema.
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Musk, nascido na África do Sul, já havia publicamente defendido essa tese em outras ocasiões, o que alimenta suspeitas de influência direta no comportamento do modelo. A possibilidade de usar engenharia de prompts ou ajustes nos chamados pesos do modelo para alterar respostas é viável tecnicamente e mais barata do que um retreinamento completo, segundo especialistas ouvidos pela CNN.
Para Nick Frosst, cofundador da Cohere, alterar o Grok para seguir convicções pessoais enfraquece sua utilidade. “Um modelo que repete a ideologia de seu criador não resolve tarefas reais para o usuário comum”, afirmou. Ele acredita que usuários buscam IA para realizar tarefas práticas e baseadas em fatos, não reafirmações ideológicas.
Com a Grok integrada a uma das maiores redes sociais do mundo, e menos restrições à disseminação de conteúdo, o impacto pode ser expressivo. Ainda que a OpenAI, o Google e outras gigantes também atualizem seus modelos, o nível de intervenção pessoal e ideológica que Musk demonstra pode trazer implicações profundas, tanto no campo tecnológico quanto democrático.


































