A Toyota inaugura oficialmente a Woven City, um projeto ambicioso localizado na base do Monte Fuji, no Japão. Planejada como um “laboratório vivo”, a cidade é o espaço onde a montadora pretende validar tecnologias ligadas a mobilidade, infraestrutura urbana e integração digital. A Fase 1 do projeto foi concluída, abrindo caminho para que os primeiros 360 moradores vivenciem um ambiente urbano controlado em que o blockchain terá papel central.
O terreno da antiga fábrica Higashi-Fuji foi transformado em um espaço de 175 acres, concebido para testar de forma prática sistemas de energia distribuída, interfaces homem-máquina, conectividade em larga escala e soluções de mobilidade. A iniciativa, que deve alcançar cerca de 2 mil residentes em fases futuras, reflete a estratégia da Toyota de experimentar tecnologias em um ambiente real antes de aplicá-las em escala global.
Entre os destaques está a aplicação do padrão ERC-4337, tecnologia ligada à rede Ethereum, em contas inteligentes. O chamado Mobility Oriented Account (MOA) tokeniza direitos de uso de veículos, permitindo que permissões sejam delegadas e controladas por meio de contratos inteligentes. Em vez de tratar o automóvel como simples ativo, a abordagem cria condições programáveis, como autorizações temporárias, limites de tempo ou restrições geográficas para seu uso.
Esse modelo estende-se também a serviços urbanos, como o comércio peer-to-peer de energia. Residências que utilizam fontes renováveis poderão negociar excedentes diretamente entre vizinhos por meio de contratos automatizados, criando um mercado descentralizado de eletricidade. Essa proposta posiciona a Woven City como um espaço em que tokens têm utilidade real, representando quilowatts-hora ou direitos de mobilidade, em contraste com modelos especulativos que marcaram a primeira geração de blockchain.
A construção do projeto tem apoio estratégico da NTT, gigante das telecomunicações, que fornece recursos essenciais de infraestrutura, como computação de borda, integração 5G e redes de baixa latência. Essas capacidades garantem que os sistemas de blockchain consigam autenticar usuários, coordenar dispositivos conectados e processar transações em tempo real, atendendo ao padrão de confiabilidade exigido em ambientes urbanos.
O modelo de governança estabelecido pela Toyota envolve múltiplos atores: a própria montadora, empresas parceiras, moradores e potenciais órgãos reguladores. A estratégia busca criar um ecossistema de conformidade regulatória desde o início, evitando obstáculos legais comuns em projetos de criptoativos. A ênfase em utilidade e governança sólida posiciona a Woven City como referência para outras empresas interessadas em explorar blockchain fora do setor financeiro.
A inauguração ocorre em um momento de aumento do interesse institucional por infraestrutura de blockchain. Ao aplicar essa tecnologia em mobilidade, energia e gestão urbana, a Toyota apresenta um estudo de caso que pode influenciar indústrias de veículos, cidades inteligentes e até redes de IoT industriais. Mais do que uma vitrine de inovação, a Woven City é um experimento sobre como integrar blockchain a serviços essenciais de forma sustentável, escalável e adaptada às exigências do mundo real.
Fonte: Toyota, Toyotacomunica e Beincrypto.