Um jovem goiano acreditava ter conseguido a tão esperada vaga de emprego na CAOA, após passar por nada menos que 24 etapas de um processo seletivo exaustivo. Depois de ser considerado apto, entregar toda a documentação e até receber instruções para abrir uma conta bancária para o depósito do salário, teve uma surpresa: foi descartado antes mesmo de começar.
A reviravolta ocorreu após um exame oftalmológico. Segundo consta no processo, a empresa alegou inaptidão do candidato com base no teste médico. No entanto, a avaliação não veio acompanhada de relatório técnico detalhado. E mais: a Carteira Nacional de Habilitação do rapaz estava válida e sem restrições, o que contradiz qualquer suposta limitação visual que impedisse o exercício da função.
A Justiça do Trabalho entendeu que a montadora criou uma expectativa concreta de contratação. A Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) manteve a decisão da 1ª Vara do Trabalho de Anápolis, que já havia condenado a CAOA a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais. A sentença considerou que o rompimento sem motivação plausível causou frustração e prejuízo emocional ao candidato.
A montadora tentou se defender, afirmando que a contratação só se confirmaria com a assinatura formal do contrato. A justificativa, porém, não foi suficiente. Para a relatora do caso, desembargadora Wanda Lúcia Ramos, a empresa foi além do razoável ao avançar em tantas fases e criar expectativa ao ponto de exigir a abertura de conta para recebimento de salário, tornando irrelevante a falta de contrato assinado.
O caso chama atenção por expor um problema recorrente, mas raramente judicializado: a desistência de empresas mesmo após etapas finais de seleção. A jurisprudência trabalhista é clara ao considerar que o rompimento sem justa causa, em estágio avançado do processo, pode sim gerar indenização por dano moral.
O entendimento do TRT-GO reforça o papel das empresas no respeito à boa-fé durante processos seletivos. Criar falsas expectativas ou dispensar candidatos após atitudes que evidenciam contratação iminente — como coleta de documentos ou instruções bancárias — compromete não apenas a credibilidade da marca, mas também pode gerar responsabilização legal.
O Portal iG Carros procurou a CAOA Chery para comentar a condenação. Até a publicação desta matéria, a montadora não havia se manifestado. O caso reforça um alerta: promessas de contratação, mesmo sem contrato assinado, podem ter peso legal quando a conduta empresarial gera expectativas concretas e documentadas.
Fonte: iG.