Vaga de emprego na CAOA vira pesadelo para jovem que teria passado por 24 etapas e não conseguiu o trabalho

A CAOA foi condenada a indenizar um candidato aprovado após 24 fases de seleção, que abriu conta para salário e teve a contratação cancelada por exame sem justificativa técnica.
Publicado por em Trabalho dia

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Um jovem goiano acreditava ter conseguido a tão esperada vaga de emprego na CAOA, após passar por nada menos que 24 etapas de um processo seletivo exaustivo. Depois de ser considerado apto, entregar toda a documentação e até receber instruções para abrir uma conta bancária para o depósito do salário, teve uma surpresa: foi descartado antes mesmo de começar.

Pontos Principais:

  • CAOA é condenada a pagar R$ 5 mil por desistência após 24 etapas de seleção.
  • Candidato abriu conta para salário e só aguardava início do treinamento.
  • Reprovação ocorreu após exame oftalmológico sem laudo detalhado.
  • Justiça entendeu que houve quebra de expectativa e má-fé da empresa.

A reviravolta ocorreu após um exame oftalmológico. Segundo consta no processo, a empresa alegou inaptidão do candidato com base no teste médico. No entanto, a avaliação não veio acompanhada de relatório técnico detalhado. E mais: a Carteira Nacional de Habilitação do rapaz estava válida e sem restrições, o que contradiz qualquer suposta limitação visual que impedisse o exercício da função.

Após 24 fases e aprovação final, jovem abriu conta bancária aguardando início na CAOA, mas foi surpreendido com a recusa da empresa sem explicações claras.
Após 24 fases e aprovação final, jovem abriu conta bancária aguardando início na CAOA, mas foi surpreendido com a recusa da empresa sem explicações claras.

A Justiça do Trabalho entendeu que a montadora criou uma expectativa concreta de contratação. A Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) manteve a decisão da 1ª Vara do Trabalho de Anápolis, que já havia condenado a CAOA a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais. A sentença considerou que o rompimento sem motivação plausível causou frustração e prejuízo emocional ao candidato.

A montadora tentou se defender, afirmando que a contratação só se confirmaria com a assinatura formal do contrato. A justificativa, porém, não foi suficiente. Para a relatora do caso, desembargadora Wanda Lúcia Ramos, a empresa foi além do razoável ao avançar em tantas fases e criar expectativa ao ponto de exigir a abertura de conta para recebimento de salário, tornando irrelevante a falta de contrato assinado.

O caso chama atenção por expor um problema recorrente, mas raramente judicializado: a desistência de empresas mesmo após etapas finais de seleção. A jurisprudência trabalhista é clara ao considerar que o rompimento sem justa causa, em estágio avançado do processo, pode sim gerar indenização por dano moral.

O entendimento do TRT-GO reforça o papel das empresas no respeito à boa-fé durante processos seletivos. Criar falsas expectativas ou dispensar candidatos após atitudes que evidenciam contratação iminente — como coleta de documentos ou instruções bancárias — compromete não apenas a credibilidade da marca, mas também pode gerar responsabilização legal.

O Portal iG Carros procurou a CAOA Chery para comentar a condenação. Até a publicação desta matéria, a montadora não havia se manifestado. O caso reforça um alerta: promessas de contratação, mesmo sem contrato assinado, podem ter peso legal quando a conduta empresarial gera expectativas concretas e documentadas.

Fonte: iG.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.