Leilão Correios 2026: Com R$ 6,1 bilhões de prejuízo, Correios vendem prédios e tentam ganhar tempo para sobreviver
Os Correios abriram uma nova frente no plano de reestruturação ao colocar 21 imóveis próprios em leilão, em meio a um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões em 2025. A estatal aposta na venda de ativos como forma de reorganizar as finanças e ganhar fôlego para atravessar o ano.
Os leilões estão marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro e serão realizados exclusivamente de forma digital. Pessoas físicas e jurídicas podem participar. Segundo a empresa, os imóveis já estão liberados para alienação imediata.
A expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro. O dinheiro, de acordo com os Correios, será destinado à recomposição do caixa, modernização da infraestrutura logística e fortalecimento das operações.
Imóveis variados e preços que vão de R$ 19 mil a R$ 11 milhões
O portfólio inclui prédios administrativos, antigos complexos operacionais, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os valores iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, o que, segundo a estatal, amplia o leque de interessados.
Em nota, os Correios afirmam que as alienações não afetam a prestação de serviços à população. A empresa diz que os ativos colocados à venda estão ociosos ou não integram áreas estratégicas da operação postal.
As informações sobre editais, fotos dos lotes e condições de participação estão disponíveis nos canais oficiais da companhia.
Empréstimo bilionário e reabertura de PDV
A venda dos imóveis ocorre poucos meses após a estatal contratar um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa. No fim de 2025, R$ 10 bilhões já haviam sido liberados. Os R$ 2 bilhões restantes devem entrar no caixa em 2026.
Segundo informações divulgadas anteriormente, parte do valor foi utilizada para pagamento de salários e dívidas com fornecedores. O objetivo do financiamento é assegurar o fluxo de caixa até março e permitir a negociação de obrigações em atraso.
Neste mês, os Correios também reabriram o Plano de Desligamento Voluntário. O programa fica disponível até 31 de março e pode atingir até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A economia anual estimada com a redução do quadro é de R$ 2,1 bilhões, com impacto previsto a partir de 2028.
A soma das medidas revela o tamanho do desafio: manter uma empresa centenária em funcionamento, cortar despesas e, ao mesmo tempo, tentar reconstruir a confiança no próprio futuro.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.














