Marco Buzzi Ministro STJ: conheça o magistrado alvo de acusação de abuso sexual
No início de janeiro, uma acusação formal de assédio sexual contra um ministro do Superior Tribunal de Justiça passou a mobilizar o Judiciário e órgãos de controle em Brasília.
Documentos obtidos pelo Radar identificam o acusado como Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, integrante do STJ desde 2011. A denúncia foi apresentada por uma advogada ao Conselho Nacional de Justiça, à polícia e ao próprio tribunal.
No dia 7 de janeiro, o episódio relatado teria ocorrido na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, estado de origem do magistrado. A jovem afirma que estava no local com familiares quando o ministro se aproximou durante um banho de mar.
Segundo o relato formalizado, a jovem diz que foi abraçada e se afastou imediatamente. Ainda de acordo com a acusação, o magistrado teria tentado agarrá-la outras duas vezes após a recusa inicial. A família afirma que havia relação de confiança entre as partes, já que os dois se conheciam desde a infância da jovem, que hoje é maior de idade.
O boletim de ocorrência foi registrado pela família e encaminhado ao CNJ. O material chegou à Secretaria-Geral do conselho, responsável por avaliar a abertura de procedimento e eventuais medidas administrativas contra o magistrado.
A apuração também avança na esfera criminal. Por se tratar de um ministro com foro, a polícia pode remeter o caso diretamente ao Supremo Tribunal Federal. Caberá a um relator decidir sobre o envio do material à Procuradoria-Geral da República, órgão com atribuição para promover eventual ação penal.
O episódio gerou reação interna no STJ. Integrantes da Corte relatam pressão por uma resposta rápida e firme, diante da gravidade da acusação e do impacto institucional do caso. O assunto passou a circular entre gabinetes e setores administrativos do tribunal nas primeiras semanas do ano.
O Radar procurou Marco Aurélio Gastaldi Buzzi para comentar a acusação, mas não obteve resposta até a última atualização das informações, registrada em 4 de fevereiro de 2026, às 12h51.
Natural de Santa Catarina, Buzzi construiu a carreira no Judiciário estadual antes de chegar ao STJ. Atuou como juiz e desembargador no Tribunal de Justiça catarinense, com passagem por áreas ligadas a contratos, responsabilidade civil e direito privado.
A indicação ao STJ ocorreu em 2011, durante o governo Dilma Rousseff, pelo critério destinado à magistratura estadual. Desde então, o ministro integra uma das mais altas instâncias do Judiciário brasileiro, responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal.
O avanço do caso depende agora das decisões do CNJ, da polícia e do Supremo Tribunal Federal. A definição sobre a abertura de investigação criminal e possíveis sanções administrativas deve ocorrer nas próximas etapas do processo, enquanto o tribunal acompanha a repercussão interna e externa do episódio.














