Manifestação Anel Rodoviário BH hoje causou trânsito intenso: Trecho liberado; veja o que aconteceu
O Anel Rodoviário de Belo Horizonte voltou a receber tráfego na manhã desta terça-feira, 10, depois de horas de bloqueio na altura da descida do Betânia, na região Oeste da capital, causado por um protesto de moradores da ocupação Vila Maria. A liberação ocorreu após negociação com a Polícia Militar de Minas Gerais, que acompanhou a manifestação desde o início do dia e atuou na retirada de materiais incendiados sobre o asfalto.
O bloqueio começou nas primeiras horas da manhã, no sentido Vitória, e rapidamente gerou impactos fora do trecho interditado. O fogo ateado na pista abriu um buraco no pavimento e agravou a situação viária em um dos corredores mais carregados da cidade. Técnicos da BHTrans estiveram no local para avaliar os danos e discutir com a Prefeitura de Belo Horizonte se o trânsito seria liberado de imediato ou mantida a interdição para reparos. A decisão final foi pela liberação, com a previsão de fechamento do buraco em um momento posterior.
A manifestação foi organizada por moradores da Vila Maria, ocupação localizada nas proximidades do Parque Jacques Cousteau. No local, o líder comunitário José Ribamar afirmou que o bloqueio foi uma tentativa de forçar a abertura de diálogo com o poder público diante da possibilidade de desocupação da área. Segundo ele, pedidos formais de reunião já haviam sido enviados ao prefeito, sem retorno. A manifestação, afirmou, foi o recurso encontrado para chamar atenção das autoridades.
Mesmo com a liberação do Anel Rodoviário, os reflexos no trânsito persistiram ao longo da manhã. Houve registro de mais de seis quilômetros de lentidão em cada sentido da via. O congestionamento se espalhou para a BR-040, desde a saída de Nova Lima, e alcançou diversos pontos de Belo Horizonte e da região metropolitana. Na região Oeste, motoristas enfrentaram retenções prolongadas nos bairros Estoril e Buritis, especialmente nas avenidas Professor Mário Werneck e Barão Homem de Melo, usadas como rotas alternativas.
Durante o protesto, moradores reforçaram que não se opõem ao projeto discutido pelo município, mas cobram garantias relacionadas à moradia. José Ribamar afirmou que o grupo defende melhorias para a cidade, desde que não haja prejuízo direto às famílias que vivem na ocupação. Ele destacou que o direito à moradia é assegurado pela Constituição e que qualquer intervenção precisa considerar esse princípio.
Em nota, a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte informou que a ocupação está situada em área de preservação permanente, dentro do Parque Jacques Cousteau. Segundo a prefeitura, desde a identificação da irregularidade, a Subsecretaria de Fiscalização notificou os ocupantes e a Procuradoria-Geral do Município solicitou a reintegração de posse, processo que segue em tramitação na Justiça.
O município declarou ainda que apresentou diferentes tentativas de solução para o caso, incluindo a oferta de abono pecuniário às famílias e a realização de audiências de conciliação no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania. De acordo com a administração municipal, um Cersam não será construído na área ocupada, informação usada para rebater parte das preocupações levantadas pelos moradores.
A liberação do Anel Rodoviário encerrou o bloqueio físico da via, mas não eliminou o impasse entre moradores da Vila Maria e o poder público. Com o processo judicial em andamento e as negociações ainda sem desfecho, a situação permanece em aberto, enquanto a prefeitura avalia os reparos no asfalto danificado e os moradores aguardam novos encaminhamentos.
Foto: Reprodução/TV Globo







