Petrobras projeta autossuficiência em diesel até 2031 e amplia refinarias para reduzir dependência externa e estabilizar preços
A Petrobras passou a revisar suas metas para ampliar a produção de diesel no Brasil e atingir autossuficiência até 2031, em um movimento que responde tanto ao aumento da demanda interna quanto à instabilidade no mercado internacional de petróleo.
Hoje, a estatal é responsável por cerca de 70% do diesel consumido no país. O plano vigente previa elevar esse índice para 80%, com aumento de 300 mil barris por dia na produção. A nova diretriz, em discussão interna, mira atingir 100% dentro do mesmo horizonte de tempo.
Expansão de refinarias sustenta estratégia de aumento de produção
A mudança de patamar depende diretamente da ampliação de unidades já existentes, com foco em elevar a capacidade de refino e direcionar a produção para derivados com maior demanda, como o diesel.
Entre os principais projetos estão:
- Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com expansão para cerca de 300 mil barris por dia
- Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, com aumento de 240 mil para 350 mil barris por dia
Além do crescimento físico, as unidades passam por ajustes operacionais para priorizar a produção de diesel, reduzindo a participação de outros derivados no mix final.
Dependência do transporte rodoviário mantém pressão sobre o diesel
O consumo elevado está diretamente ligado à estrutura logística do país, que depende majoritariamente do transporte rodoviário. Caminhões seguem como principal eixo de distribuição de mercadorias, o que mantém o diesel no centro da dinâmica econômica.
A estratégia da Petrobras busca reduzir a exposição do Brasil às oscilações externas, especialmente em momentos de crise internacional que impactam o preço do petróleo.
Segundo a companhia, a capacidade interna de produção de petróleo e gás já funciona como uma barreira parcial contra choques externos, mas a dependência de importações de diesel ainda representa um ponto de vulnerabilidade.
Cenário internacional pressiona preços e acelera revisão de metas
A revisão da estratégia ocorre em meio ao aumento da tensão geopolítica e à volatilidade no mercado global. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, voltou ao centro das preocupações, elevando o risco de impacto nos preços.
O ambiente externo também tem sido influenciado por fatores políticos. Monitoramentos internos indicam que declarações recentes do presidente dos Estados Unidos provocaram movimentações relevantes no mercado financeiro, ampliando a instabilidade.
Plano bilionário reforça posição da Petrobras no mercado
A companhia executa um plano estratégico de US$ 109 bilhões para ampliar sua capacidade de produção de óleo e gás, com foco em consolidar a liderança no mercado nacional e expandir presença internacional.
Entre os números apresentados, a Petrobras atingiu recentemente uma produção total de 2,92 milhões de barris por dia, considerada um recorde. A estatal também mantém cerca de 90% da produção nacional de petróleo e amplia a oferta de gás, com crescimento na capacidade offshore.
O aumento da produção de gás exportado para a costa chegou a 52 milhões de metros cúbicos, acima dos 29 milhões registrados anteriormente, indicando avanço na infraestrutura e na capacidade operacional.
O plano inclui ainda investimentos em energia renovável e ajustes na estratégia de capital, com foco em eficiência e redução de custos, enquanto a companhia mantém discussões internas sobre o ritmo e o alcance da meta de autossuficiência em diesel diante de um cenário global ainda instável.














