Qual foi a escola de samba que homenageou o Lula? Acadêmicos de Niterói se diz perseguida
A Acadêmicos de Niterói afirmou ter sido alvo de perseguição política durante a preparação do Carnaval 2026 no Rio de Janeiro por causa do enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota divulgada após o desfile no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a escola declarou que enfrentou pressões para alterar o conteúdo apresentado e cobrou que a apuração seja conduzida de forma justa, técnica e transparente.
A agremiação abriu os desfiles do Grupo Especial e levou para a avenida o enredo Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, que percorreu a trajetória do presidente desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, atuação sindical e chegada ao Palácio do Planalto. A comissão de frente encenou a rampa presidencial e representou figuras públicas, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva gera reação política e ações judiciais
Antes mesmo do desfile, o tema foi questionado judicialmente. Segundo a própria escola, ao menos dez ações e representações foram protocoladas no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União com o objetivo de impedir a apresentação ou suspender repasses de recursos públicos. Os autores alegaram que trechos do samba e da encenação configurariam propaganda eleitoral antecipada, já que a legislação permite campanha apenas a partir de 16 de agosto.
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral. Por unanimidade, os ministros negaram pedido liminar para barrar o desfile, sob o entendimento de que a proibição poderia caracterizar censura prévia. Ao mesmo tempo, alertaram que eventuais condutas praticadas na avenida poderiam ser analisadas posteriormente à luz da legislação eleitoral.
Escola relata pressão e interferência na autonomia artística
Na nota pública, a Acadêmicos de Niterói afirmou que houve tentativas de interferência direta na autonomia artística, com questionamentos à letra do samba e pedidos de mudança no enredo. A escola sustenta que resistiu às pressões e levou à avenida o que considera coerente com sua identidade e com a história que decidiu contar.
Também mencionou o que classificou como narrativa recorrente no carnaval sobre escolas recém-promovidas ao Grupo Especial que acabam rebaixadas no ano seguinte, ao afirmar que espera um julgamento que se baseie exclusivamente no desempenho apresentado.
Presença de Lula e reação partidária ampliam tensão
Luiz Inácio Lula da Silva assistiu ao desfile em camarote ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e da primeira-dama Janja da Silva. Havia expectativa de que Janja desfilasse em um carro alegórico, mas ela optou por permanecer no camarote, afirmando que a decisão buscou evitar novos questionamentos à escola.
Após a apresentação, o Partido Novo anunciou que pretende acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente, sob a alegação de propaganda antecipada financiada com recursos públicos. O governo federal afirmou que não participou da escolha do enredo e que o apoio financeiro às escolas é prática recorrente.














