Suzane Von Richthofen Hoje: entenda por que ela pode voltar para a cadeia
Mais de R$ 5 milhões em patrimônio, um boletim de ocorrência por furto e a possibilidade concreta de regressão de pena colocaram Suzane von Richthofen novamente no centro de um processo criminal em São Paulo, pouco mais de um ano após deixar o regime semiaberto.
A acusação foi registrada no início de fevereiro por Silvia Gonzalez Magnani, prima de Suzane, que afirma que a condenada se apropriou indevidamente de bens e dinheiro pertencentes ao espólio de Miguel Abdalla Netto, médico encontrado morto em 9 de janeiro, dentro da própria casa, no bairro do Campo Belo, zona sul da capital paulista.
O imóvel, avaliado junto com outros bens em cerca de R$ 5 milhões, passou a ser objeto de disputa judicial logo após a morte de Miguel, que não era casado oficialmente e não tinha filhos. A briga envolve Suzane, sobrinha consanguínea do médico, e Silvia, que afirma ter mantido com ele uma relação estável por mais de dez anos.
Segundo o boletim de ocorrência, Suzane retirou da residência do tio uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira ou poltrona e uma bolsa que conteria documentos pessoais e dinheiro. O registro aponta que a retirada ocorreu sem autorização judicial e antes da definição formal do inventariante do espólio.
Desde a abertura do inquérito, Suzane passou a responder formalmente por suspeita de furto. A apuração foi noticiada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada por fontes da investigação. Caso a Polícia Civil conclua que houve crime, a Justiça poderá determinar a regressão de regime, obrigando Suzane a retornar ao sistema prisional para cumprir o restante da pena de 39 anos de prisão.
Condenada em 2006 por planejar a morte dos pais, Manfred e Marisia von Richthofen, Suzane cumpre atualmente pena em regime aberto. Nessa condição, a legislação impede a prática de novos crimes, sob pena de revogação imediata do benefício.
No processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, Suzane admitiu ter entrado no imóvel após a morte do tio e retirado alguns objetos. Entre eles, um carro Subaru XV, pertencente a Miguel. Ela também confirmou ter soldado o portão da casa.
Em manifestação à Justiça, Suzane alegou que a medida teve como objetivo proteger o patrimônio, sob o argumento de que os bens poderiam futuramente ser reconhecidos como seus. A soldagem do portão e a retirada do veículo, no entanto, ocorreram antes de qualquer decisão judicial sobre a partilha ou administração do espólio.
Silvia Gonzalez Magnani contesta a versão e afirma que a retirada de bens caracterizou apropriação indevida. Ela sustenta que, por ter mantido convivência estável e duradoura com Miguel, deve ser nomeada administradora do espólio, tese que será analisada pela Justiça no curso do inventário.
A investigação criminal corre paralelamente ao processo cível e ainda não tem prazo para conclusão. A Polícia Civil apura a existência de imagens, testemunhos e documentos que comprovem a retirada dos objetos e a posse dos bens no período posterior à morte do médico.
Segundo o Metropoles, enquanto isso, a situação jurídica de Suzane permanece sob avaliação. O inquérito segue em andamento, e a eventual conclusão pela prática de furto será encaminhada ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça.














