UFSC desenvolve sistema que troca tijolos por painéis com garrafas PET e monta casa de 39 m² em 48 horas, com base radier e concreto armado
A Universidade Federal de Santa Catarina apresentou um sistema construtivo que substitui a alvenaria tradicional por painéis pré-fabricados com garrafas PET no interior da estrutura. O projeto, desenvolvido no Laboratório de Sistemas Construtivos, prevê a montagem de uma moradia de 39 metros quadrados em cerca de dois dias, com base do tipo radier e travamento metálico no topo das paredes.
A proposta parte de uma lógica industrial: em vez de erguer paredes tijolo por tijolo no canteiro, os módulos chegam prontos para posicionamento, fixação e amarração. Segundo o coordenador do laboratório, a agilidade decorre da padronização e da fabricação fora do local da obra, o que reduz etapas e interferências.
Como funciona o painel com garrafas PET
O núcleo estrutural é formado por colunas de garrafas de poli(tereftalato de etileno), preparadas com cortes e encaixes que permitem conexão contínua dentro do painel. A fabricação começa em molde com uma camada inicial de concreto de cerca de 2 centímetros, seguida da disposição das garrafas, da inclusão de armadura de aço e do preenchimento final com concreto.
Publicações acadêmicas vinculadas à UFSC descrevem processo semelhante em argamassa armada, com camada de 20 milímetros em uma das faces e reforços metálicos no perímetro. A espessura total do painel chega a aproximadamente 14 centímetros. As garrafas podem ser posicionadas invertidas para facilitar a passagem de instalações elétricas e hidráulicas, já embutidas durante a produção.
Dimensões, planta e montagem
A planta inicial de 39 m² inclui dois dormitórios, banheiro e cozinha integrada à sala, além de espaço para futura varanda e área de serviço. A montagem ocorre sobre base radier, com escoramento provisório até a amarração definitiva. As juntas mantêm cerca de 10 milímetros para acomodar dilatações e retrações.
O travamento superior utiliza chapa metálica perfurada ao longo do perímetro, integrando as paredes. Na cobertura, painéis horizontais são apoiados sobre os verticais e recebem capeamento de concreto com espessura indicada de 4 centímetros, consolidando o conjunto.
Especificações divulgadas
- Painéis com 65 cm ou 85 cm de largura
- Altura aproximada de 265 cm
- Espessura total de cerca de 14 cm
- Camada inicial de concreto com 2 cm
- Capeamento superior com 4 cm
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Núcleo | Colunas de garrafas PET encaixadas |
| Reforço | Treliça plana e armadura de aço |
| Base | Radier |
| Travamento | Chapa metálica perfurada |
Relevância ambiental e possibilidade de ampliação
A universidade relaciona o sistema ao reaproveitamento de resíduos plásticos e ao estímulo à coleta seletiva. Em material institucional, foram citados dados de 2002 sobre consumo e reciclagem de PET no Brasil para contextualizar a disponibilidade do material, embora esses números não representem o cenário atual.
Reportagem da revista Pesquisa FAPESP registrou que a pesquisa também avaliou uma casa térrea de 57 m², com dois dormitórios e possibilidade de ampliação. A autora da dissertação associada ao tema, identificada como arquiteta e pesquisadora do projeto, afirmou que a leveza e a rigidez dos painéis facilitam transporte e montagem.
Ao propor substituir o tijolo por módulos industrializados com resíduos incorporados, a Universidade Federal de Santa Catarina insere a discussão sobre habitação popular em um terreno que combina padronização, redução de etapas no canteiro e reaproveitamento de materiais, em um modelo que ainda depende de validação em escala maior.














