Pat Burgener chega às Olimpíadas de Inverno 2026 como aposta brasileira no snowboard
Sexto no ranking mundial, Pat Burgener entra na pista de halfpipe em Milão-Cortina carregando um rótulo que o Brasil raramente veste nos Jogos de Inverno: o de candidato real a medalha. A estreia nas qualificatórias está marcada para hoje. Não há favoritismo, mas há cenário possível.
Aos 31 anos, o atleta nascido na Suíça e filho de mãe brasileira vive a fase mais consistente da carreira. Já foi quinto colocado em PyeongChang 2018 e terminou em 11º em Pequim 2022. Em Mundiais, subiu duas vezes ao pódio com medalhas de bronze, em 2017 e 2019. Agora, representa o Brasil em busca de um feito inédito.
O resultado mais recente ajuda a sustentar a expectativa. Burgener conquistou medalha em etapa da Copa do Mundo neste ano, ainda que sem a presença dos principais japoneses e australianos, hoje dominantes na modalidade. O detalhe pesa. No halfpipe, a régua técnica subiu. Pontuações na casa dos 90 se tornaram rotina entre os favoritos, enquanto o brasileiro tem girado em torno dos 80 pontos.
Ranking mundial e rivais colocam brasileiros como azarões competitivos
Os japoneses ocupam quatro das cinco primeiras posições do ranking. Dois australianos também aparecem entre os principais nomes do circuito. A disputa pelo pódio passa por execução limpa, amplitude e grau de dificuldade elevado, além de alguma margem para erro dos rivais.
Burgener chega recuperado de uma queda sofrida em treino na Suíça no início do mês. O histórico mostra que ele sabe competir sob pressão. Para avançar à final, precisa ficar entre os dez melhores nas qualificatórias. Na decisão, cada atleta tem três descidas, e apenas a melhor nota conta.
Outro brasileiro na disputa é Augustinho Teixeira, que busca espaço em um cenário tradicionalmente restrito a potências do inverno.
O Brasil e a espera por uma medalha inédita nos Jogos de Inverno
O país nunca subiu ao pódio em uma Olimpíada de Inverno. A simples presença de um atleta entre os seis melhores do mundo já altera o tom da conversa. Não é euforia, é possibilidade concreta.
Para que a medalha venha, o roteiro precisa ser perfeito. Burgener terá de executar suas principais manobras sem falhas visíveis e elevar a nota para a faixa que hoje pertence aos favoritos. No halfpipe, a diferença entre a glória e a frustração cabe em um detalhe na aterrissagem.
Em Milão-Cortina, o Brasil observa em silêncio. Não há tradição, mas há talento. E, pela primeira vez, há expectativa fundamentada.
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